Eduardo Sartorato
Após cerca de três anos e meio, a Copa do Mundo volta a estrelar os gramados nesta semana. O pontapé inicial do torneio, sediado por Estados Unidos, México e Canadá, será na quinta-feira (11/6), às 16h (horário de Brasília), no jogo entre México e Africa do Sul, na Cidade do México. Tentando o sonhado hexa pela sexta vez, a seleção começa o torneio longe do topo dos favoritos. Apesar de um hipotético título brasileiro não poder ser desprezado, o Brasil entra na competição com a maior desconfiança das últimas décadas.
Números e fatos ajudam a identificar o porquê de o Brasil começar a Copa 2026 tão em baixa nas casas de apostas. O primeiro deles é o desempenho do país nas Eliminatórias Sulamericanas. Pela primeira vez, o Brasil terminou em quinto colocado, pior colocação desde a adoção do modelo de pontos corridos. Vale lembrar que a seleção só se classificou diretamente para a Copa porque a Fifa aumentou o número de equipes de 32 para 48 em 2026. No sistema passado, o quinto colocado passava por uma repescagem intercontinental.
Os amistosos pós-eliminatórias também não ajudaram a levantar a moral da equipe canarinha. O Brasil perdeu pela primeira vez na história para o Japão (3X2, em 14 de outubro) e empatou com a Tunísia (1X1, em 18 de novembro), dois adversários que não deveriam ser problemas para um time pronto para disputar o título da Copa.
Nos dois últimos jogos, na semana passada, goleou o fraco Panamá (jogou melhor com a equipe reserva do que com a titular), mas teve problemas para superar o Egito (2 X1). Nas duas partidas, a atuação ficou abaixo do esperado.
Ancelotti é novidade positiva
O pontos mais positivo do Brasil para 2026 é contar com a experiência do técnico italiano Carlo Ancelotti. Multicampeão na Europa, Ancelotti traz para o Brasil uma reciclagem importante à seleção, que nunca na história havia contado com um técnico estrangeiro. Nas duas últimas Copas, Tite foi o técnico da seleção.
Lacunas no elenco, porém, são as barreiras mais difíceis de serem superadas. Estrela do Brasil nos últimos anos, Neymar não atua bem há anos, mesmo longe dos disputados campos da Europa – joga no Santos desde o ano passado, com desempenho mediano. Além disso, chega à Copa com a incerteza de uma contusão e não jogará o primeiro jogo.
Vini Jr., craque do Real Madrid, ainda não desencantou com a camisa da seleção. Vê a Copa como uma oportunidade de se consolidar como ídolo verde e amarelo. Porém, até hoje, mostra dificuldades de jogar bem longe de seus companheiros da capital espanhola.
Brasil tem problema na defesa
Apesar disso, a versão 2026 da seleção brasileira apresenta um problema crônico na defesa. O goleiro Alisson chega à Copa questionado com as últimas falhas. O miolo de zaga também tem atuado mal. Marquinhos, por exemplo, entregou um gol no último jogo contra o Egito, quando o Brasil vencia por 1 a 0.
Pelo lado positivo, Endrick chega embalado por uma boa campanha pelo Lyon este ano, após empréstimo pelo Real Madrid. Pode surpreender e fazer uma boa Copa, ajudando o Brasil a avançar na competição. Jogador de 19 anos, porém, não pode ficar com todo o peso de uma boa campanha nas costas. O seu objetivo principal é ganhar experiência para ser peça-chave nas próximas competições.
Como futebol é imprevisível, o que torna difícil saber até onde o Brasil pode ir nessa Copa. Título é improvável, porém uma seleção com a camisa do Brasil sempre pode chegar. As respostas para todos os questionamentos ao time de Ancelotti começam a ser divulgadas no sábado (13/6), às 19h, quando o Brasil entra em campo contra o Marrocos, em Nova Jersey, pela primeira rodada da competição.


