Em 22 de junho de 1986, durante as quartas de final da Copa do Mundo, Diego Armando Maradona garantiu a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, por 2 a 1, com dois gols épicos. Um deles, de mão, ficou conhecido como a “mão de Deus”, diante das arquibancadas do Estádio Azteca, na Cidade do México.
Exatamente 40 anos depois, outro camisa 10 argentino entrou para a história do futebol: nesta segunda-feira (22), Lionel Andrés Messi se isolou como o maior artilheiro dos Mundiais masculinos ao balançar as redes duas vezes no triunfo sobre a Áustria, por 2 a 0, em Dallas, nos Estados Unidos. A partida foi o segundo confronto da Argentina na primeira fase, pelo Grupo J, e garantiu a classificação para o mata-mata.
Recorde pode aumentar
O craque de 38 anos iniciou o jogo empatado com o ex-atacante alemão Miroslav Klose, ambos com 16 gols. Com os dois que marcou, Messi chegou a 18, assumindo também a artilharia da Copa deste ano, com quatro gols. E esse recorde ainda pode aumentar, já que a Seleção Argentina tem, ao menos, outros dois compromissos no Mundial: a terceira rodada da fase de grupos e os 16 avos de final.
Messi também atingiu outras marcas relevantes: são seis jogos seguidos de Copa fazendo gols ─ ele também havia balançado as redes nas quatro últimas partidas da edição de 2022, no Catar, onde a Argentina foi campeã. O argentino se iguala aos ex-atacantes Just Fontaine, francês que brilhou no Mundial de 1958, e ao brasileiro Jairzinho, que marcou em todas as partidas da campanha do tri, em 1970.
Além disso, o craque se isolou como o jogador com mais vitórias em Copas, atingindo 18 triunfos e deixando novamente Klose para trás, que ganhou 17 partidas. Com seis pontos, a Argentina lidera o Grupo J, que ainda será complementado pelo jogo entre Jordânia e Argélia, a partir da meia-noite (horário de Brasília) de segunda para terça-feira (23), na Califórnia (Estados Unidos). A Áustria segue assim com os três pontos somados na estreia.
Insistência e recorde
Na Argentina, o técnico Lionel Scaloni promoveu apenas uma mudança em relação ao time que venceu a Argélia por 3 a 0 em Kansas City, há seis dias. O lateral-direito Nahuel Molina entrou no lugar de Gonzalo Montiel. Do lado austríaco, foram três alterações na equipe que derrotou a Jordânia por 3 a 1 na Califórnia.
Mas na defesa, Philipp Lienhart deu lugar a Kevin Danso. O zagueiro Phillip Mwene saiu, para a entrada do meia Paul Wanner. Por fim, no ataque, o técnico Ralf Rangnick optou por Michel Michael Gregoritsch, deixando Sasa Kalajdic no banco.
Messi poderia ter feito história logo aos oito minutos, após o árbitro Amin Mohamed Omar conferir no vídeo um corte do zagueiro Stefan Posch em cima do atacante Lautaro Martínez e marcar pênalti. O camisa 10 argentino, no entanto, demorou a decidir o canto da cobrança e chutou para fora, à esquerda da meta austríaca.
A oportunidade desperdiçada animou a Áustria, que melhorou sua marcação pressionando, uma característica das equipes dirigidas por Rangnick. Ainda assim, eram os sul-americanos que conseguiam ser mais incisivos no ataque, liderados por Messi.
Mais lances
Aos 18, o astro travado pelo zagueiro David Alaba no momento da finalização, e a bola parou em uma grande defesa do goleiro Alexander Schalger. Aos 30, na sobra de um chute do volante Enzo Fernandes, defendido pelo goleiro, caído no gramado, o atacante tentou aproveitar a meta vazia, mas Alaba apareceu à frente e evitou novamente o gol.
A insistência de Messi recompensada aos 38 minutos. Em um contra-ataque puxado desde o meio-campo, o lateral Facundo Medina recebeu na esquerda e cruzou rasteiro. O atacante Thiago Almada deixou a bola passar, e assim o camisa 10 chegou batendo, no contrapé de Schalger. A história já estava feita em Dallas.
A segunda etapa foi menos movimentada, com as principais chances surgindo em bola parada. Aos nove minutos, o meia Marcel Sabitzer, em seu jogo número 100 pela Áustria. Assim cobrou falta pela esquerda, obrigando o goleiro Dibu Martínez a fazer uma boa defesa, espalmando para escanteio. Aos 27, Messi bateu e o atacante Nico González cabeceou rente à trave esquerda da seleção europeia.
Nos acréscimos, o camisa 10 brilhou novamente. O atacante Julián Álvarez parou em Schalger. No rebote, o volante Leandro Paredes rolou para Messi, que escapou da marcação e chutou prensado, mas o suficiente para fechar o placar em Dallas, fazendo o quinto dele ─ e da própria Argentina ─ na Copa.


