Jovem autista supera dificuldades e encontra oportunidade de crescimento na construção civil

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Mulher autista e portadora de uma doença rara, Priscylla de Sousa Vicente dos Santos é um exemplo de superação e representação de minorias menos privilegiadas. Segundo dados do Censo Demográfico de 2022, o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população. Contudo, aproximadamente 85% dos adultos autistas estão desempregados, uma realidade influenciada pela falta de informação e preconceito.

Apesar de pertencer a essa parcela da população frequentemente subjugada, a jovem goiana de 22 anos conseguiu romper as barreiras do mercado de trabalho e se tornou empreendedora na construção civil, atuando como pintora profissional ao lado do marido.

Oportunidade por meio da educação

Priscylla fez um curso de pintura no Instituto Elon Soares (IES), em Trindade. Essa formação, totalmente gratuita, foi o impulso necessário para ela começar a trabalhar no setor. “Consegui fazer o curso sem dificuldades, pois tanto o professor quanto os colegas me apoiaram, me ajudaram em tudo o que eu precisei, tiveram paciência. Sou muito grata”, destaca.

A descoberta tardia do diagnóstico

A jovem descobriu seu diagnóstico de autismo há apenas dois anos, após o marido notar alguns comportamentos diferentes. “Eu tenho hiperfocos, comportamentos repetitivos, sensibilidade sensorial e auditiva e nunca entendi direito o motivo. Somente após esse questionamento, minha mãe decidiu revelar a razão e recentemente me mostrou meu laudo”, conta Priscylla.

A descoberta tardia, no entanto, não a fez escapar do preconceito, especialmente por enfrentar outros problemas de saúde, como a fenilcetonúria (PKU) e sérios problemas oculares. A PKU foi identificada ainda no teste do pezinho; é uma doença genética rara e hereditária que impede o organismo de metabolizar o aminoácido fenilalanina, exigindo uma dieta rigorosa desde a infância. Adicionalmente, ela passou por uma cirurgia ocular ainda na infância.

Persistência e desenvolvimento profissional

Apesar das limitações, Priscylla sempre se esforçou para desenvolver atividades. Ela já foi babá, sacoleira e trabalhou em uma fábrica de estopa, mas desejava uma profissão que a possibilitasse crescer. “Sempre gostei de inovar e aprender coisas novas. Quando vi a oportunidade de fazer o curso na construção civil, que oferece boas oportunidades no mercado, me interessei. Fiquei impressionada e encantada e acabei me inscrevendo em outros cursos do Instituto Elon Soares”, relata.

Atualmente, ela está se especializando em impermeabilização e construção a seco: “Estou achando incrível. Trabalhar na área me faz me sentir realizada. Sou uma prova de que podemos e devemos correr atrás de nossos sonhos, independentemente de nossos desafios”, conclui Priscylla.

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