O caso do menino de 10 anos encontrado trancado em um apartamento em Goiânia, sem acesso adequado a água, alimentação e à própria insulina, chama a atenção para os graves riscos provocados pela interrupção de tratamentos de uso contínuo.
Conforme informações divulgadas pela imprensa, a criança tem diabetes, apresentava glicemia acima de 500 mg/dL no momento do resgate e precisou encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva. A insulina estava armazenada na geladeira do apartamento, mas o menino não conseguia acessar o medicamento.
Para o Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), a situação representa um alerta sobre a responsabilidade dos adultos no cuidado de crianças com doenças crônicas. Em pacientes que dependem de insulinoterapia, principalmente aqueles com diabetes tipo 1, o tratamento não deve ser interrompido.
A falta de insulina pode provocar uma elevação acentuada da glicose no sangue e desencadear a cetoacidose diabética, uma emergência médica que pode evoluir para desidratação grave, alterações neurológicas, coma e até mesmo a morte.
“Uma criança com diabetes não pode ser privada da insulina, da alimentação adequada, da hidratação ou do monitoramento da glicemia. O medicamento deve ser administrado nos horários e nas doses prescritas, sempre com a supervisão de um adulto capacitado. Impedir o acesso ao tratamento coloca diretamente a saúde e a vida da criança em risco”, afirma a farmacêutica Luciana Calil, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás.
Insulina não deve ser suspensa para controlar a alimentação
O CRF-GO esclarece que impedir que uma criança se alimente não é uma conduta segura. O tratamento do diabetes envolve a combinação entre insulinoterapia, alimentação planejada, monitoramento da glicemia, atividade física e acompanhamento regular por profissionais de saúde.
A dose de insulina também não modificada por iniciativa própria. Pois qualquer alteração precisa definida pela equipe responsável pelo tratamento, considerando os níveis de glicemia, a alimentação, o estado de saúde e as necessidades individuais do paciente.
Crianças e adolescentes podem precisar de várias aplicações diárias de insulina. Por isso, pais, responsáveis, familiares, cuidadores e profissionais das escolas devem conhecer o plano de cuidado, os horários de administração do medicamento e as providências necessárias diante de alterações importantes da glicemia.
As diretrizes brasileiras recomendam a insulinoterapia intensiva para crianças com diabetes tipo 1, com tratamento individualizado e adaptado às características de cada faixa etária.
CRF-GO reforça cuidados com medicamentos de uso contínuo
O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás orienta que medicamentos prescritos para doenças crônicas utilizados regularmente. Assim respeitando as doses, os horários, a forma de administração e as condições adequadas de armazenamento.
Entre os principais cuidados estão:
- não interromper o medicamento sem avaliação de um profissional de saúde;
- não alterar doses ou horários por conta própria;
- acompanhar a quantidade disponível e providenciar a reposição antes que o medicamento termine;
- armazenar os medicamentos conforme as orientações do fabricante e do farmacêutico;
- garantir que crianças recebam os medicamentos sob a supervisão de um adulto responsável;
- monitorar a glicemia de acordo com o plano definido pela equipe de saúde;
- procurar atendimento imediato diante de glicemia persistentemente elevada, vômitos, sonolência, confusão, dificuldade para respirar, dor abdominal ou sinais de desidratação.
O farmacêutico pode orientar pacientes e responsáveis sobre o uso correto dos medicamentos, a conservação da insulina, o manuseio dos dispositivos de aplicação, o descarte de agulhas, a organização dos horários e a adesão ao tratamento.
A atuação farmacêutica também contribui para a segurança do paciente, para o acesso ao tratamento e para o uso racional de medicamentos.
“Medicamentos de uso contínuo precisam fazer parte de uma rotina de cuidado organizada. No caso de uma criança, essa responsabilidade é dos adultos. O farmacêutico está disponível para esclarecer dúvidas e ajudar as famílias a compreender como utilizar, armazenar e administrar os medicamentos com segurança”, acrescenta Luciana Calil.
O CRF-GO manifesta preocupação com as circunstâncias relatadas e reforça que toda criança com uma condição crônica deve ter garantidos o acesso ao tratamento, a proteção, a alimentação adequada e o acompanhamento permanente de saúde.




