Economia brasileira cresce 0,7% em maio impulsionada pelo consumo das famílias, aponta FGV

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A economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio. No trimestre móvel terminado em maio, a alta é de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Assim, a variação positiva acumulada nos últimos 12 meses chega a 1,7%.

Os dados são parte do Monitor do PIB, um estudo mensal realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (20).

A pesquisa realiza estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o total de bens e serviços produzidos no país, com base em informações de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária.

Retomada do crescimento da economia

O resultado de maio retoma a trajetória positiva após um recuo em abril e estabilidade em março. Confira abaixo o comportamento do ano mês a mês:

  • Maio: 0,7%
  • Abril: -0,1%
  • Março: 0%
  • Fevereiro: 0,5%
  • Janeiro: 0,7%

Sinais de arrefecimento da economia

Apesar do crescimento em maio, o indicador acumulado em 12 meses (1,7%) mostra uma desaceleração em comparação ao desempenho anterior. Em março, a variação era de 3% e, em maio do ano passado, de 3,8%.

Ao apresentar os resultados, a FGV destaca que o consumo das famílias teve um crescimento de 3,3% no trimestre até maio, alcançando, assim, seu maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, quando cresceu 4%. Desse resultado, portanto, mais de 60% vieram do consumo de serviços e bens duráveis.

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, ressalta que o consumo das famílias foi o principal fator positivo para o desempenho da economia. No entanto, ela observa que existem “fragilidades” nesse resultado.

“O crescimento da agropecuária vem após uma sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra uma perda de fôlego do setor, e, assim, apenas os serviços mostraram resultados um pouco melhores que a média geral do início do ano”, explica.

Para ela, a concentração do crescimento no consumo das famílias indica uma dependência desse componente, já que as exportações e os investimentos demonstraram quedas. “Conclui-se que, apesar da economia continuar em crescimento, surgem sinais importantes de arrefecimento nos resultados”, conclui.

Comportamento das exportações e importações

As exportações tiveram um crescimento de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025 (2,1%). “As exportações da [indústria] extrativa mineral cresceram significativamente menos do que vinham apresentando desde o início do ano, o que explica a redução do crescimento das exportações”, observa o acompanhamento.

As importações cresceram 8,9%, marcando o terceiro trimestre móvel seguido de alta.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve uma expansão de 2% no trimestre móvel. Essa foi, portanto, a segunda expansão após quatro trimestres móveis consecutivos de recuo.

O estudo estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,6%, a segunda maior do ano, perdendo apenas para fevereiro (19,2%).

Conforme a FGV, em termos monetários, o PIB acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões.

Resultados oficiais e expectativas

O Monitor do PIB é um dos estudos que atuam como termômetro da economia brasileira. Outro relatório relevante é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que foi divulgado na última sexta-feira (17) e indicou uma expansão de 0,1% na passagem de abril para maio, além de 1,4% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação mais recente foi no fim de maio, mostrando crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, com a próxima sendo referente ao segundo trimestre de 2026, marcada para o dia 1º de setembro.

O relatório Focus desta semana, um levantamento do Banco Central (BC) junto a instituições do mercado financeiro, estima que a economia brasileira encerrará 2026 com um crescimento de 1,99%. A previsão do Ministério da Fazenda é de uma variação de 2,3%.