A Prefeitura de Goiânia está promovendo a renovação da frota utilizada em serviços administrativos, operacionais, de saúde, trânsito, educação e segurança. Esta substituição ocorrerá através de contratos de locação, enquanto os veículos próprios serão leiloados. Segundo a Secretaria Municipal de Administração (Semad), essa mudança visa reduzir despesas com manutenção, melhorar a disponibilidade dos veículos e proporcionar um atendimento mais eficiente à população.
Detalhes da renovação
O modelo prevê a contratação de até 615 veículos por 12 meses, incluindo 409 carros administrativos, utilitários e veículos para transporte de passageiros, além de 206 motocicletas e motolâncias. O valor máximo registrado nas atas de registro de preços é de R$ 33.321.421,92. Contudo, essa quantidade não representa a entrega obrigatória de toda a frota simultaneamente. Os veículos serão disponibilizados gradualmente, conforme a necessidade das secretarias e a emissão de ordens de serviço pela prefeitura.
O secretário municipal de Administração, Adonídio Neto, destacou que a decisão foi baseada nas condições da frota recebida no início da gestão do prefeito Mabel. Ele afirmou que haviam veículos próprios com 10, 15 e até 20 anos de uso, cujo custo de manutenção pode superar metade do valor de mercado do automóvel. “Quando Mabel chegou à prefeitura, recebeu uma frota muito antiga. Em alguns casos, o custo de manutenção supera 50% do valor do próprio veículo”, comentou.
Mudanças na frota e contratos
A maioria dos veículos já estava locada por meio de contratos firmados em gestões anteriores. Mesmo após prorrogações, esses contratos têm vencimento previsto para meados de setembro. A nova licitação começou a ser estruturada ainda no ano passado e contempla seis lotes voltados principalmente à contratação de veículos leves e utilitários.
A substituição da frota ocorrerá à medida que os novos veículos forem entregues. As empresas terão um prazo de 30 dias para disponibilizar os carros comuns e até 60 dias para entregar as viaturas. Com a chegada da nova frota, os contratos anteriores serão encerrados de forma gradual.
Benefícios da locação
Para a administração municipal, a locação permite transferir para empresas especializadas uma série de responsabilidades, como manutenção preventiva e corretiva, troca de pneus, cumprimento de garantias, regularização documental, contratação de seguro e reposição de veículos em caso de pane, acidente ou indisponibilidade. “Não se trata apenas de alugar o veículo. A empresa também faz a gestão da frota, cuida da manutenção, da garantia, dos pneus e oferece um veículo reserva quando há uma ocorrência que exige reparo mais longo”, explicou o secretário.
A justificativa econômica está também ligada à situação financeira enfrentada pelo município. Adonídio lembrou que Goiânia esteve em calamidade financeira no ano passado e não dispunha de recursos para comprar uma frota nova. Na avaliação da administração municipal, a locação reduz o desembolso inicial e permite que a prefeitura conte com veículos novos sem assumir diretamente os custos de aquisição, manutenção e renovação do patrimônio. “A prefeitura vinha de uma situação de dificuldade financeira e não tinha recursos disponíveis para comprar uma frota nova. Por isso, contratar uma empresa especializada, que entrega o veículo e administra todos esses serviços, é mais vantajoso para o município”, afirmou.
Destinação das viaturas
A renovação impactará diretamente áreas consideradas essenciais para o funcionamento da cidade. A maior parte dos veículos será destinada à Guarda Civil Metropolitana (GCM), à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e à Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET). Também haverá atendimento a demandas da Educação e de outras pastas que dependem de deslocamentos para fiscalizações, inspeções, visitas técnicas, ações de campo e suporte logístico.
Na Guarda Civil Metropolitana, a mudança deverá aumentar a quantidade de viaturas disponíveis. A corporação passará a contar diariamente com 89 veículos, um aumento de quase 20 viaturas em relação à estrutura atual. Segundo Adonídio, a GCM será a única secretaria com ampliação do número de veículos, por determinação do prefeito, que tem como prioridade o reforço do patrulhamento na capital.
Com isso, haverá a garantia de um número significativo de viaturas em operação, evitando que um veículo precise ser retirado para manutenção ou por outro motivo. “Todos os dias, a Guarda Civil Metropolitana terá 89 viaturas circulando pela cidade. Não será mais necessário retirar um veículo de operação porque ele está na manutenção, teve um pneu furado ou sofreu algum sinistro. Quando uma viatura precisar ser recolhida, haverá outra para substituí-la”, afirmou Adonídio.
Integração e rastreamento
Outro aspecto importante da renovação é a introdução de um sistema integrado de rastreamento e videomonitoramento dos veículos, algo inédito para a Prefeitura de Goiânia. Essa tecnologia permitirá acompanhar a localização da frota em tempo real, além de registrar informações como velocidade média, trajetos e permanência dos automóveis em determinadas áreas.
“O rastreamento não será apenas aquele utilizado pelas seguradoras, acionado sob demanda. Será um sistema com videomonitoramento 24h. A GCM poderá acompanhar, on-line, a posição de cada viatura, assim como os gestores poderão acompanhar os demais veículos da prefeitura”, explicou Adonídio. O mecanismo proporciona maior controle sobre o uso da frota e ajuda a impedir deslocamentos não relacionados ao serviço público.
A prefeitura enfatiza que o rastreamento não é o principal motivo do novo contrato, mas sim uma ferramenta adicional de controle e gestão. O objetivo da mudança, segundo a Semad, é garantir veículos mais novos, reduzir a indisponibilidade por problemas mecânicos e melhorar a qualidade dos serviços que dependem do deslocamento de equipes.
Sobre a economia
O titular da Semad enfatiza que o aumento estimado, de aproximadamente 30% a 40%, não representa uma simples elevação no preço de cada veículo. “É importante esclarecer que não se trata de um aumento isolado no valor de cada veículo. Estamos renovando a frota, substituindo veículos próprios que serão leiloados, incluindo o rastreamento e ampliando a quantidade contratada. No contrato emergencial, eram cerca de 500 veículos. Agora, estamos trabalhando com uma previsão superior a 600”, explicou.
Além disso, a venda dos veículos próprios deverá gerar receita imediata para o município, além de retirar da estrutura os automóveis antigos, cuja manutenção se tornou cara e pouco eficiente. A expectativa é que a combinação entre a venda desses bens e a transferência dos custos operacionais para as empresas locadoras reduza a pressão sobre o orçamento e evite que a prefeitura mantenha uma frota envelhecida.


