A indústria foi o principal motor da geração de empregos em Goiás entre janeiro e junho de 2026. No total, foram criadas 19.942 novas vagas, o que representa um crescimento de 4,77% no estoque de trabalhadores, superando a média da indústria brasileira, que foi de 2,62%. Esses dados são provenientes do estudo elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, que apresenta uma Análise das Movimentações do Emprego Industrial, baseada em informações do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Segundo a Gedin-Fieg, o bom resultado foi principalmente impulsionado pelas atividades da indústria de transformação, que registrou 10.022 novas vagas, e do setor de construção, com 7.792 novas vagas. Juntas, essas áreas foram responsáveis por 17.814 novos empregos líquidos, equivalendo a 89% do saldo industrial no estado.
Crescimento no cenário nacional
No contexto nacional, Goiás ocupou a 6ª posição no ranking de crescimento relativo do emprego industrial. Para o semestre seguinte, a economista da Gedin, Gabriela Parreira, alerta sobre a possibilidade de queda nas contratações. “O mercado de trabalho da indústria tem um comportamento sazonal, e o segundo semestre normalmente apresenta um ritmo menor de contratações. Por isso, mais do que acompanhar os saldos mensais, é importante observar a continuidade dos investimentos e da produção industrial, pois são esses fatores que sustentam a geração de empregos no médio e longo prazo”, destacou.
Setores e atividades em destaque
Com quase nove em cada dez empregos gerados, os setores de transformação e construção são os grandes destaques de Goiás. Entretanto, outros segmentos também se sobressaíram: Eletricidade e Gás apresentou a maior expansão proporcional do emprego, com 11,28%, seguido pelas Indústrias Extrativas, com 6,44%, e Água, Esgoto e Gestão de Resíduos, com 4,54%. Esses resultados indicam uma expansão disseminada entre os diversos ramos industriais.
Em termos de atividades, Obras de Infraestrutura (4.510 mil), Fabricação de Produtos Alimentícios (4.060 mil) e Fabricados Derivados do Petróleo e Biocombustíveis (3.819 mil) lideram a tabela com o maior saldo de empregos. Esses segmentos juntos respondem por aproximadamente 60% das novas vagas criadas no semestre.
Atividades relacionadas à construção civil, como serviços especializados para construção e construção de edifícios, também se destacaram, somando 3.282 novos empregos (1.745 mil e 1.537 mil, respectivamente).
Quando examinamos o crescimento do estoque de trabalhadores, Obras de Infraestrutura continua na liderança, com um aumento de 16,61%, seguida pela Fabricação de Derivados do Petróleo e Biocombustíveis, com 14,36%, e Eletricidade, Gás e Outras Utilidades, com 11,28%.
Saldo negativo em algumas áreas
A maior redução no emprego foi registrada na Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos, que perdeu 123 vagas, seguida pela Captação, Tratamento e Distribuição de Água (-56), Fabricação de Produtos Diversos (-56) e Fabricação de Móveis (-42). A análise da Gedin destacou que, mesmo nesses casos, as variações representaram reduções inferiores a 2,2% do estoque de trabalhadores, indicando que as perdas foram restritas a ajustes pontuais em cada segmento.
Outro aspecto ressaltado pelo estudo é que parte das atividades com saldo negativo apresenta relações de trabalho mais estáveis, refletidas pelo elevado tempo médio de permanência dos trabalhadores desligados. Destacam-se a Captação, Tratamento e Distribuição de Água, com uma média de 73,1 meses de vínculo empregatício, Metalurgia com 42,6 meses, e Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos com 27,9 meses.
Segundo o estudo, esse padrão sugere que os desligamentos ocorreram em setores caracterizados por menor rotatividade e maior permanência dos trabalhadores, e as perdas observadas podem ser compreendidas como ajustes pontuais.
Distribuição territorial dos empregos
Os maiores saldos de empregos industriais foram registrados em Goiânia (+2.959 mil vagas), Santa Terezinha de Goiás (+1.580 mil vagas), Anápolis (+1.429 mil vagas) e Rio Verde (+984 vagas). No entanto, as maiores taxas de crescimento relativo ocorreram em municípios de menor porte, destacando-se Santa Terezinha de Goiás (+121,8%), Serranápolis (+49,1%), Uruaçu (+41,3%), Minaçu (+34,7%) e Rubiataba (+22,1%), refletindo a influência de investimentos concentrados em atividades específicas.
Para o semestre, Santa Terezinha de Goiás foi a que apresentou o maior desenvolvimento em ambos os critérios. A Gedin apontou que praticamente todo o saldo decorreu da construção de rodovias e ferrovias, que gerou 1.584 novas vagas.
Uruaçu foi impulsionada pela fabricação de álcool e distribuição de energia elétrica, enquanto Serranápolis e Rubiataba tiveram uma expansão concentrada na fabricação de álcool. Em Minaçu, o avanço foi sustentado pelas obras de montagem industrial e pelo beneficiamento de minérios metálicos não ferrosos.
Perfil do trabalhador
Quase dois terços das vagas criadas na indústria foram destinadas a ocupações diretamente ligadas à produção industrial, resultando em um saldo de 13.387 novas vagas. Por outro lado, os grupos de Alta Gestão e Gerência apresentaram saldo negativo no período, com a perda de 259 vagas, assim como os Profissionais Especializados, que perderam 154 vagas. A Gedin avalia que esses dados reforçam uma expansão industrial concentrada em funções operacionais, enquanto os cargos de maior qualificação permaneceram relativamente estáveis.
A expansão também foi responsável por admitir 8.679 trabalhadores jovens, na faixa de 18 a 24 anos, que apresentaram o maior saldo de empregos. Em seguida, as faixas etárias de 30 a 39 anos (3.412 mil vagas) e 40 a 49 anos (2.987 mil vagas) também indicam uma combinação entre renovação da força de trabalho e a manutenção da contratação de profissionais mais experientes.
Quanto à escolaridade, a maior parte das admissões se concentrou em trabalhadores com ensino médio completo, a formação educacional mais comum nas ocupações operacionais e técnicas. Trabalhadores com ensino médio representam a maior parte das novas contratações, enquanto aqueles com ensino superior tendem a ter vínculos mais estáveis e uma menor renovação na força de trabalho.
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