“A consolidação da parceria comercial e da cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a Índia é fundamental para que os nossos países deem respostas adequadas aos desafios globais.” Essa declaração foi feita pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, nesta quarta-feira (27/8), em Brasília, durante a India-Brazil High-Level Business Reception.
Representando o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, Rocha participou da abertura do encontro, que teve lugar na sede da entidade, no Edifício Roberto Simonsen. O evento reuniu mais de 30 empresas brasileiras e indianas, além de autoridades e lideranças empresariais, para discutir oportunidades de negócios, investimentos e cooperação entre os dois países.
Fortalecimento das relações comerciais
Promovido pela CNI, o encontro teve como objetivo o fortalecimento das relações comerciais e econômicas entre Brasil e Índia. A programação começou com as boas-vindas aos participantes, seguida pelos discursos de abertura de André Rocha e da diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso.
Em seu discurso, André Rocha saudou, em nome de Ricardo Alban, as lideranças empresariais e autoridades presentes, ressaltando a importância da aproximação entre Brasil e Índia diante de desafios como a reconfiguração das cadeias produtivas, a emergência climática, a digitalização e os conflitos geopolíticos.
O embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, também participou da programação, que contou ainda com um painel sobre as relações comerciais e econômicas, reunindo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, e o secretário do Departamento de Comércio do Ministério do Comércio e Indústria do Governo da Índia, Shri Rajesh Agrawal.
Oportunidades para o setor privado
O encontro também proporcionou espaço para que representantes do setor privado discutissem oportunidades de negócios e cooperação. Participaram dessa etapa figuras como Vikram Shroff, vice-presidente e co-CEO da UPL Limited; Alok Kirloskar, co-presidente da delegação; José Serrador, vice-presidente Global de Relações Institucionais da Embraer; e Guilherme Gomes, de Assuntos Corporativos da WEG.
A programação foi encerrada com uma sessão de perguntas e respostas, que permitiu diálogo entre representantes dos governos e empresários dos dois países.
Comércio e exportações
Durante seu discurso, André Rocha destacou a Índia como um parceiro crucial para a indústria brasileira, ressaltando o papel do setor produtivo na criação de um ambiente favorável aos negócios e inovação. Segundo ele, a CNI trabalha para aumentar a competitividade e a inserção das empresas brasileiras no mercado internacional, considerando a aproximação com a Índia como estratégica.
Rocha também apresentou dados que demonstram o potencial da relação bilateral. Na última década, a corrente de comércio entre Brasil e Índia cresceu substancialmente, passando de US$ 5,6 bilhões, em 2016, para US$ 15,2 bilhões, em 2025. Destes, mais de 70% correspondem a produtos industriais, com destaque para alimentos, produtos químicos e derivados de petróleo e gás.
Outro aspecto importante é o potencial de expansão das exportações brasileiras. O Brasil já identificou 377 produtos que podem ser comercializados no mercado indiano, sendo que mais de 85% são da indústria de transformação. Entre os segmentos com oportunidades destacam-se químicos, alimentos, máquinas e equipamentos.
Para transformar esse potencial em negócios, a CNI defende medidas como a ampliação e modernização do Acordo de Alcance Parcial Mercosul-Índia, a redução de barreiras comerciais e regulatórias e a digitalização dos fluxos aduaneiros. A entidade também aponta oportunidades de cooperação em política industrial, inteligência artificial, semicondutores, transição energética e minerais críticos.
Ao encerrar sua participação, André Rocha enfatizou a importância do diálogo entre governos e empresários para elevar as relações entre os dois países a um novo patamar. Para ele, uma agenda bilateral orientada a resultados pode expandir o comércio, os investimentos e a cooperação tecnológica entre Brasil e Índia.





