Projeto Cerrado Vivo leva histórias de mulheres do Araguaia para escolas por meio do cinema

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O que o Rio Araguaia pode ensinar dentro de uma sala de aula? E o que muda quando a história de um dos rios mais importantes do Cerrado é contada por mulheres que vivem às suas margens, dependem de suas águas e atuam diariamente por sua preservação?

Essas são algumas das questões que inspiram o Cerrado Vivo, projeto goiano de educação ambiental que desenvolve a ação Ribeirinhas nas Escolas. Esta iniciativa transforma o cinema em uma experiência pedagógica, buscando aproximar os estudantes do Cerrado, do Rio Araguaia e das comunidades que construíram suas vidas em torno desse importante rio.

A ação parte da série documental Ribeirinhas, produzida por mulheres do cinema goiano, que conta as trajetórias de mulheres ligadas ao Rio Araguaia. Com base nessas histórias, foi elaborada uma cartilha didática para que professores possam abordar em sala de aula temas como Cerrado, recursos hídricos, povos indígenas, comunidades tradicionais, sustentabilidade e protagonismo feminino.

Destinatárias e Materiais Didáticos

Entre as protagonistas do projeto estão a cacica Valdirene Mahudiké, liderança Iny Karajá da Aldeia Buridina, em Aruanã, cuja trajetória articula território, educação e preservação da cultura indígena, e a pescadora Magda Maria, que promove discussões sobre pesca, turismo ecológico, geração de renda, preservação ambiental e a atuação das mulheres no Araguaia.

Pensado especialmente para o Ensino Fundamental II, o material combina conteúdos de Linguagens, Ciências da Natureza e Ciências Humanas e oferece aos professores sequências didáticas prontas, apresentações em slides e referências audiovisuais para trabalhar o Cerrado e o Araguaia de forma transdisciplinar.

“Este material didático é diferenciado na medida em que leva uma nova perspectiva sobre a realidade do Cerrado e os saberes das mulheres ribeirinhas do Rio Araguaia para a escola. Busca contribuir com o trabalho em sala de aula dos docentes e promove, entre os estudantes, um debate crítico sobre a preservação desse bioma”, explica a professora Joyci Viegas.

Uso do Cinema como Ferramenta Educativa

Mais do que apenas exibir um documentário na escola, o Ribeirinhas nas Escolas propõe usar o cinema como ferramenta para que os estudantes reconheçam o Cerrado como um território vivo e compreendam a relação entre preservação ambiental, cultura e a vida das populações que dependem do Rio Araguaia.

A iniciativa será apresentada durante a 6ª Semana Nacional do Cerrado, que acontece no Instituto Federal, em Goiânia, no dia 11 de setembro, Dia Nacional do Cerrado, às 10h. Com o tema “Mulheres, saberes e conservação das Savanas mundiais”, o encontro dialoga diretamente com a proposta do Ribeirinhas nas Escolas. A série que dá origem ao projeto destaca mulheres cujos conhecimentos, modos de vida e formas de organização estão profundamente ligados à conservação do Cerrado e do Rio Araguaia. Entre elas, encontram-se lideranças indígenas e pescadoras que transformam saberes do território em práticas de preservação ambiental, resistência cultural e geração de renda.

A atividade é voltada a professores, estudantes, pesquisadores e interessados nas áreas de educação, meio ambiente e audiovisual, e a participação é gratuita.

O projeto conta com coordenação geral e pesquisa de Fabiana Assis, roteiro e curadoria audiovisual de Lidiana Reis, e é realizado pela OBRAA – ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE APOIO E ASSISTÊNCIA, Instituto Iandé Verde e Sol a Pino Filmes, com recursos da Prefeitura de Goiânia.

Serviço

Ribeirinhas nas Escolas na 6ª Semana Nacional do Cerrado

Quando: 11 de setembro às 10h.

Onde: Instituto Federal, Goiânia

Participação: Gratuita.