Eleitor que rejeita polarização escolhe Cury como caminho e desidrata Flávio, Caiado, Zema e Renan

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Eduardo Sartorato

O eleitor desconfortável com a forte polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) encontrou um nome para depositar sua esperança de terceira via. Isso explica o crescimento do escritor Augusto Cury (Avante) nas últimas pesquisas para o Palácio do Planalto, como a última rodada da Quaest, contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, e divulgada nesta quarta-feira (2/9).

Segundo os números, Cury pulou de 2% para 10% das intenções de voto no primeiro turno, na comparação das rodadas divulgadas nos dias 14/8 e 2/9. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro e os principais candidatos a furar essa polarização – dentre eles os ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), além do empresário Renan Santos (Missão) – perderam pontos em consonância com o crescimento do escritor.

Outros candidatos da terceira via perdem pontos

Flávio teve variação negativa de dois pontos (saiu de 31% para 29%) no cenário estimulado da pesquisa; Caiado perdeu três pontos (4% para 1%); Renan Santos foi de 4% para 3%; enquanto que Zema viu seu índice diminuir de 2% para 1%. O presidente Lula também teve variação negativa – de 38% foi para 37%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Pelo viés ideológico dos concorrentes, é natural que o crescimento de Augusto Cury retire mais intenções de voto da direita do que da esquerda. Nesse caso, o escritor cresceu, principalmente, em cima de Flávio e Caiado, já que os indecisos permaneceram inalterados (10% nas duas pesquisas). Ademais, o eleitorado que disse não votar em ninguém (ou nulo/branco) saiu de 8% para 7%, uma pequena variação no cenário estimulado.

Augusto Cury também tem protagonismo no cenário espontâneo, aquele em que o eleitor indica um nome sem ter uma cartela de opções. Este cenário mostra a consolidação do voto. Segundo os números, Cury tem 4% do voto consolidado, o mesmo porcentual da soma de todos os outros candidatos, à exceção de Lula e Flávio Bolsonaro.

Próximas pesquisas mostrarão futuro do fenômeno Cury

As próximas pesquisas vão mostrar se o crescimento de Cury é para valer, ou se foi apenas um fenômeno pontual. O certo é que os números ainda apontam para uma polarização muito forte entre lulistas e bolsonaristas. Até agora, não há um indício claro de quebra desta polarização e o mais provável é que esse crescimento de Cury tenha teto baixo.

De qualquer modo, a alavancagem do escritor nas pesquisas é a grande novidade no início de setembro, mês vital para as eleições. Ele liga um sinal amarelo muito forte nas campanhas de Renan, Caiado e Zema, que tinham esperança de crescer e atingir os 10%. A ação tinha a meta de mostrar viabilidade eleitoral e atrair outros eleitores com o perfil anti-polarização. Cury, porém, conseguiu esse feito antes deles.