“Sabor preguiça”: Márcio Corrêa eleva o tom e manda Wilder “ir trabalhar”

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Prefeito de Anápolis rebate ataques, cita relação do senador com Carlinhos Cachoeira, ausência em votação de indicado de Lula ao STF e articulação a favor de Alexandre de Moraes

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), elevou o tom contra o senador e candidato ao governo do Estado Wilder Morais (PL) na noite desta sexta-feira (4/9). Em vídeo publicado nas redes sociais, o gestor rebateu a declaração de Wilder de que seria um político “sabor direita” e devolveu a provocação com uma sequência de ataques ao correligionário: “sabor Cachoeira”, “sabor Morais”, “sabor Messias”, “sabor rabo preso” e “sabor preguiça”. A reação ocorreu após Wilder criticar Márcio durante sabatina ao portal Mais Goiás.

As declarações de Márcio também expõem episódios que colocam Wilder em maus lençóis com a direita. De um lado, o fato de ele ter se empenhado pessoalmente para que Alexandre de Moraes se tornasse ministro do Supremo Tribunal Federal (STF); de outro, sua ausência na votação que acabou derrubando a indicação de Jorge Messias para ocupar uma vaga no STF, que era o desejo do presidente Lula.

“Podia ter citado aí ‘sabor Cachoeira’, ‘sabor Morais’, ‘sabor Messias’, ‘dabor rabo preso’, ‘sabor preguiça’. Mas o seu sabor, senador, é sabor amargo da derrota, por essas atitudes”, afirmou Márcio. O prefeito também acusou Wilder de priorizar ataques pessoais em vez de apresentar propostas para o Estado. “O senhor tinha de gastar esse tempo para apresentar propostas e projetos consistentes que resolvam a vida do cidadão”, disse.

Ao chamar Wilder de “sabor Cachoeira”, Márcio resgatou um capítulo da trajetória política do senador envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em gravações da Polícia Federal reveladas no âmbito da Operação Monte Carlo, Cachoeira atribui a si próprio participação direta na ascensão política de Wilder. “Fui eu que te pus na suplência, essa secretaria, fui eu. Você sabe muito bem disso”, afirma o contraventor em uma das conversas. Wilder responde reconhecendo a importância de Cachoeira em sua trajetória: “Pensa um cara que nunca teria, enfim, encontrado um governo, que nunca teria sido ‘merda’ nenhuma, cara. Você tá falando com esse cara”. Em 2012, Wilder assumiu no Senado a vaga aberta após a cassação de Demóstenes Torres.

Já a referência a “sabor Messias” remete a um episódio recente que provocou desgaste de Wilder dentro do próprio PL. Em 29 de abril deste ano, o senador não compareceu à votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias enfrentava forte oposição do PL e precisava de maioria absoluta do Senado para chegar ao STF. A ausência de Wilder, portanto, beneficiou o indicado de Lula ao retirar da votação um potencial voto contrário à indicação. O registro oficial do Senado aponta Wilder como “não compareceu”. Mesmo ausente, o senador publicou posteriormente um vídeo comemorando a rejeição de Messias, atitude que gerou críticas e cobranças dentro da própria direita.

Em 2017, Wilder também participou ativamente da articulação em torno da indicação de Alexandre de Moraes ao STF. O senador chegou a promover, em sua própria embarcação, no Lago Paranoá, em Brasília, um jantar entre o então indicado e senadores responsáveis por analisar seu nome. O encontro foi tratado à época como uma espécie de “minissabatina” e abriu espaço para que Moraes buscasse apoio antes da votação no Senado. Anos mais tarde, já no Supremo, Alexandre de Moraes se tornaria o protagonista dos embates judiciais com o bolsonarismo e seria responsável por decisões contra Jair Bolsonaro (PL), inclusive a que determinou a condenação e prisão do ex-presidente.

“Projeto falido”
No vídeo desta sexta-feira, Márcio também atacou o desempenho de Wilder na campanha e o acusou de se distanciar da população. “Não vai pôr botina só no dia do debate, não, e ficar usando sapatinho caro no ar-condicionado. Vai pôr botina, trabalhar, dialogar com a população”, cobrou. Em outro trecho, classificou a candidatura do senador como “projeto falido” e “barco que está afundando”. “Todo dia é um desembarcando por causa dessas atitudes imaturas”, declarou.

Márcio anunciou em 22 de agosto apoio à reeleição de Daniel Vilela. A decisão abriu uma crise interna no PL e resultou na abertura de processo ético-disciplinar contra o prefeito. Principal gestor municipal do partido em Goiás e prefeito de Anápolis, terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Márcio afirma que mantém apoio a nomes ligados à direita, entre eles Flávio Bolsonaro, Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo. “Enquanto eu fico trabalhando aqui pela população e, fora do horário, apoiando os candidatos verdadeiramente de direita, vai honrar esse partido”, provocou.

Vídeo reprodução.

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