O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado escolheu Goiás para passar o 7 de Setembro e transformou a segurança pública no principal eixo de seu discurso durante as comemorações da Independência. Em vez de participar dos atos políticos realizados em Brasília ou São Paulo, o ex-governador preferiu comparecer às celebrações no Estado que governou e que pretende apresentar ao eleitorado como referência de sua proposta para o país.
Em entrevista durante o desfile, Caiado defendeu maior investimento nas Forças Armadas, anunciou que, se eleito, pretende criar o Ministério da Segurança Pública e afirmou que o órgão terá uma central de inteligência para integrar Polícia Federal, Coaf, Receita Federal, CVM e outras estruturas de fiscalização e investigação.
O candidato também fez críticas ao presidente Lula, seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, e voltou a defender que o combate ao crime organizado deve ocupar posição central na agenda nacional.
Caiado confirmou que pretende participar mais ativamente da campanha do governador Daniel Vilela à reeleição. Disse que fará agendas em diferentes regiões do Estado e minimizou a possibilidade de o bolsonarismo ameaçar o projeto de continuidade de sua base política em Goiás.
Confira os principais trechos da entrevista:
Quais mudanças o senhor pretende promover na segurança pública caso seja eleito presidente?
Primeiro, a criação do Ministério da Segurança Pública, que terá uma central de inteligência integrando todos os órgãos, seja o Coaf, que articula as operações financeiras; a Secretaria da Fazenda, junto com toda a operação da Receita Federal; a CVM; e toda a inteligência da Polícia Federal.
O senhor costuma destacar os investimentos feitos nas polícias de Goiás. Pretende levar essa política também para as Forças Armadas?
É muito importante dar a eles aquilo que merecem, dar a condição de poder trabalhar para que haja a verdadeira independência do Brasil.
Hoje, vocês podem ter a certeza absoluta de que Goiás é um Estado que pode comemorar a Independência. Aqui você viu as forças de segurança desfilando com toda a estrutura que têm, todos respeitados, e as pessoas agradecendo.
O presidente Lula aproveita o 7 de Setembro para reforçar o discurso de soberania nacional. Flávio Bolsonaro também faz um ato em São Paulo. Qual é a mensagem da sua candidatura nesta data?
Primeiro, demonstrar o que nós acabamos de apresentar em Goiás. Goiás pode comemorar a Independência.
Como é que o presidente Lula vai defender soberania se ele entregou o Brasil para as facções criminosas? Como vai defender soberania se nunca desenvolveu uma política estruturante para os minerais que até hoje são retirados do Brasil de forma bruta?
O presidente Lula devolveu o Brasil ao crime, à corrupção e ao maltrato às pessoas. Hoje, não tem autoridade moral para falar de patriotismo, muito menos de soberania.
O senhor relaciona a ideia de independência diretamente à segurança pública?
Sim. Onde está a independência do cidadão que mora em uma área dominada pelo crime? Onde está a independência dessas pessoas?
É isso que eu vou devolver ao Brasil. É isso que vou fazer ao assumir o governo.
Você precisa ter ordem e chegar às pessoas. Com o dinheiro bem aplicado, você resgata saúde, educação, segurança, obras de infraestrutura e programas sociais e emancipatórios.
O senhor também citou as Forças Armadas. Que papel elas teriam em um eventual governo?
É importante dar às Forças Armadas condições para trabalhar. Exército, Aeronáutica e Marinha precisam ter estrutura compatível com a responsabilidade que possuem na defesa do país e da soberania nacional.
Integrantes da base governista em Goiás demonstram preocupação com a força do bolsonarismo na eleição estadual. O senhor acredita que esse movimento pode ameaçar a reeleição de Daniel Vilela?
Nós estamos assistindo a um governador extremamente preparado. Daniel Vilela já mostrou uma diferença enorme e tem condições de continuar e ampliar tudo aquilo que foi concebido.
Não vai ser por ingerência de A ou de B. O que vai pesar nessa eleição, até o dia 4 de outubro, será o candidato que tem autoridade moral.
Mas o senhor pretende aumentar sua presença em Goiás durante a campanha de Daniel Vilela?
Virei. Lógico que continuarei vindo a Goiás.
Goiás sempre é o meu Estado, minha origem, meu Estado-raiz. Vou estar presente em eventos que o Daniel fizer. Teremos eventos com companheiros no Norte, no Sul e no Oeste do Estado.
Farei esse giro em Goiás com toda força e dedicação para pedir às pessoas que reflitam. É o que vai decidir Goiás pelos próximos quatro anos.
Qual será a principal mensagem nesses eventos?
Goiás quer continuidade, coragem, ordem, respeito às pessoas, proteção e boa segurança. É isso que o povo quer.
Foto: Leo Iran


