Goiânia sedia encontro inédito para debater avanço da inteligência artificial no agronegócio

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A inteligência artificial está avançando rapidamente no agronegócio brasileiro. A parcela de fazendas e agroindústrias que utilizam a tecnologia passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2026, mais que dobrando em quatro anos, segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV).

É diante desse cenário que Goiânia recebe, no dia 23 de setembro, o Cerrado Innovation Summit – Edição Agro, um encontro que reunirá especialistas. Assim como executivos, pesquisadores, startups e investidores para discutir como a IA e o uso de dados estão transformando a produção e a gestão no campo.

Agro inteligente: dados, IA e produtividade

Com o tema “Agro Inteligente: dados, IA e a nova fronteira de produtividade no Cerrado”, o evento é promovido pelo Hub Cerrado. E assim pretende colocar em debate as aplicações práticas da inteligência artificial no agronegócio, desde o monitoramento das lavouras até a gestão das propriedades e agroindústrias.

Apesar do crescimento, os dados mostram que a adoção da tecnologia ainda está em expansão. Conforme o levantamento da FGV, 58,1% das fazendas e agroindústrias brasileiras ainda não utilizam inteligência artificial. Este cenário abre espaço para novas soluções e para discussões sobre como tornar essas ferramentas mais acessíveis e aplicáveis às diferentes realidades do campo.

Desafios e potencial no uso de tecnologia

Outro levantamento reforça esse potencial. A pesquisa Global Farmer Insights 2024, da McKinsey, aponta que apenas 22% dos agricultores brasileiros utilizam softwares de gestão agrícola. Enquanto o percentual é de 38% nos Estados Unidos e 32% na Europa.

Entre os desafios para ampliar a digitalização, destacam-se a conectividade, o custo de implementação e a permanência de processos informais de gestão, como planilhas e anotações manuais.

A experiência do produtor e a nova tecnologia

O avanço da IA também coloca em discussão o papel da experiência acumulada por quem trabalha no campo. Para especialistas, a tecnologia não substitui o conhecimento do produtor. Ao contrário, a combinação entre experiência prática e análise de dados pode ampliar a capacidade de interpretação das informações geradas pelas novas ferramentas.

O produtor que conhece as características de sua cultura, solo e região pode utilizar a IA para organizar dados históricos, identificar padrões. Assim como acompanhar indicadores e criar cenários que auxiliem o planejamento.

Esse encontro entre conhecimento tradicional e tecnologia será um dos pontos centrais do Cerrado Innovation Summit. Assim, pretende aproximar empresas que já enfrentam desafios de digitalização, pesquisadores, startups e investidores.

Programação do evento em Goiânia

A programação da tarde do Cerrado Innovation Summit começa com uma palestra de Carlos Peruzzi, sócio e Head de consultoria da Rural Ventures. O executivo possui mais de 20 anos de experiência na área de tecnologia. Bem como já atuou como CIO e CTO em grandes grupos do agronegócio brasileiro. Além disso, possui MBA pela Babson College, nos Estados Unidos, e especialização em transformação digital pelo MIT.

Na sequência, o evento terá uma Pílula CEIA e o painel principal, mediado por Douglas Paranahyba, do Sebrae Agro. Participam do debate Marcelo Eskenazi, assessor de inovação da São Martinho; Jardel Lopes, pesquisador do CEAGRE e professor do IF Goiano; Eduardo Bitu, Chief Strategy & Innovation Officer da Aliare; e Leonardo Alvarenga, fundador e CEO da SNASH.

A proposta é discutir casos reais de adoção de tecnologia no agronegócio, incluindo os resultados alcançados, os desafios encontrados, os custos de implementação e os próximos passos da transformação digital no setor.

Goiás como centro de inovação do agro

A realização do encontro em Goiânia reforça a conexão entre o ecossistema de inovação e uma das principais atividades econômicas do Centro-Oeste. O Hub Cerrado atua na aproximação entre empresas, startups, investidores e instituições de pesquisa, criando conexões para o desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas a diferentes setores da economia.

No agronegócio, essa aproximação ganha relevância diante da velocidade com que novas ferramentas de inteligência artificial estão chegando ao mercado. “A tecnologia está avançando rapidamente, mas o grande desafio é transformar inovação em aplicação prática. A conexão entre empresas, pesquisadores, startups e produtores é fundamental para que as soluções desenvolvidas respondam às necessidades reais do campo”, destaca Uaitã Pires, diretor do Hub Cerrado.

Além das palestras e do painel, o evento terá mentorias e uma rodada de negócios para startups, VCs e investidores. A programação será encerrada com a entrega do Prêmio Cerrado Innovation, reconhecimento a iniciativas de destaque no ecossistema regional de inovação.

Após a premiação, os participantes poderão desfrutar de um happy hour com networking e uma feira de startups, ampliando as oportunidades de conexão entre empreendedores, investidores, empresas e profissionais do setor.