O jornalismo e as letras brasileiras perderam uma de suas vozes mais lúcidas e marcantes. O jornalista, escritor e ensaísta Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A informação teve confirmação de familiares, que relataram que Zuenir estava internado na cidade para tratamento de complicações decorrentes de pneumonia.
Ocupante da Cadeira nº 34 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2014, Zuenir construiu uma trajetória profissional de mais de seis décadas. Ela teve a marca do rigor na apuração, por sua prosa fluida e envolvente, e por um compromisso ético inabalável com a democracia.
Trajetória e Contribuições
Nascido em Além Paraíba (MG) em 1 de junho de 1931, Zuenir mudou-se jovem para o Rio de Janeiro, onde cursou Letras. Iniciou sua carreira no jornalismo na década de 1950. Ao longo das décadas seguintes, ele passou pelas redações dos veículos mais importantes do país, incluindo a Tribuna da Imprensa, o Jornal do Brasil, as revistas Visão e Época, além dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, onde atuou por anos como colunista.
Como repórter, Zuenir transformou os acontecimentos políticos e sociais do Brasil em narrativas vivas. Seu livro mais célebre, 1968: O ano que não terminou (publicado em 1988), tornou-se uma referência fundamental para a historiografia e para o jornalismo brasileiro. Na obra, ele traçou um panorama detalhado do ano em que a ditadura militar se recrudesceu no Brasil com a decretação do AI-5, costurando relatos do movimento estudantil, da efervescência cultural e da repressão política.
Obras Notáveis
Outro marco de sua produção foi Cidade Partida (1994), no qual investigou as fraturas sociais, a violência urbana e a divisão socioeconômica do Rio de Janeiro. A obra lhe rendeu o Prêmio Jabuti e consolidou sua capacidade única de interpretar as contradições do Brasil urbano contemporâneo.





