O avanço da inteligência artificial e a velocidade das transformações tecnológicas impõem novos desafios à educação e à formação profissional. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, é essencial preparar estudantes e profissionais para uma realidade em constante mudança.
A reflexão apresentada nesta segunda-feira (28), durante a XIX Reunião do Conselho Estratégico de Pensadores da Educação do Futuro, presidida por André de forma on-line. O encontro, que teve como tema “As novas diretrizes da EPT no Brasil”, reuniu especialistas para discutir os caminhos da educação profissional e tecnológica diante das rápidas mudanças no mundo do trabalho.
Transformações e seus impactos
Na abertura do evento, André destacou a velocidade das transformações e o impacto que elas causam na educação. “Nós sabemos da importância e dos desafios da educação no presente e, mais ainda, da educação no futuro, principalmente com essas grandes e rápidas transformações que estão ocorrendo.”
Ao abordar a inteligência artificial, ele ressaltou que o cenário é desafiador, mas também oferece oportunidades para repensar a formação. “É um pouco assustador e, ao mesmo tempo, também desafiador.”
Quase quatro anos de discussões
Criado durante a gestão do ex-presidente da Fieg Sandro Mabel, o Conselho já realizou 18 reuniões em quase quatro anos, congregando análises e sugestões de especialistas sobre os desafios da educação.
André enfatizou que parte dessas contribuições assim incorporada a iniciativas do Sesi e do Senai. “Recebemos aqui muitas ponderações, muitas sugestões. Acabamos conectando algumas dessas sugestões com iniciativas já adotadas pelo nosso Sesi e pelo nosso Senai.”
Durante a reunião, foi apresentado um relatório executivo com a consolidação das contribuições dos encontros anteriores. Na sequência, o professor Eduardo Deschamps discutiu o tema “As novas diretrizes da EPT no Brasil”, em painel mediado pelo diretor regional interino do Senai e superintendente interino do Sesi-Goiás, Claudemir Bonatto.
Da reflexão para novas propostas
No encerramento, André Rocha defendeu que o trabalho do Conselho avance para além das discussões internas. Ele acredita que é necessário identificar caminhos para que o conhecimento produzido pelo grupo possa contribuir com decisões e políticas em diferentes níveis. “Nós precisamos tentar também começar a pensar como é o passo adiante para ajudar a transformação.”
De acordo com o dirigente, o Sistema Indústria deve continuar desempenhando seu papel, mas também precisa ampliar a articulação para que as propostas elaboradas pelo Conselho possam alcançar outras instâncias. “Só dentro de casa, fazer o nosso papel é importante, nós vamos continuar fazendo, mas isso infelizmente não é suficiente para fazer essa transformação.”
Como encaminhamento, Rocha propôs organizar as contribuições do Conselho em um documento a ser discutido inicialmente no Departamento Nacional do Sesi e do Senai e, posteriormente, compartilhado com outras unidades do Sistema Indústria e com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Educação no debate da indústria
Ele também defendeu que a educação e a formação profissional tenham um espaço maior nas discussões da indústria, especialmente diante das rápidas transformações provocadas pela inteligência artificial.
Mas para ele, o desafio vai além dos recursos e envolve diretrizes, qualidade da formação e preparação para as novas demandas do mercado de trabalho. “Não é só se comprometer a recursos. A questão é saber não só aplicá-los, mas sobretudo aquilo que foi discutido da diretriz.”
O presidente da Fieg também alertou para a necessidade de o Brasil acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas. “Não adianta a gente querer se fechar numa ilha e depois correr atrás disso aqui. Nós vamos ficar anos-luz.”
Nesse sentido, defendeu que o Conselho avance na identificação de caminhos, propostas e ações que possam contribuir para a transformação da educação e ampliar a atuação do Sistema Indústria.
Ao final, ele agradeceu aos conselheiros e reforçou a importância de transformar as discussões acumuladas em propostas para a educação brasileira. A próxima reunião está prevista para 7 de dezembro de 2026.





