Papa Leão recebe diagnóstico de câncer após cirurgia no pulmão

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O papa Leão foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar, uma forma comum de câncer de pulmão, após passar por uma cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, nesta terça-feira (13/10). Durante o procedimento, que durou cerca de 90 minutos, os médicos removeram o lobo inferior do pulmão direito do pontífice, de 71 anos.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo cirurgião-chefe, dr. Stefano Margaritora, e pelo médico pessoal do papa, dr. Luigi Carbone, a operação ocorreu sem complicações e com o objetivo curativo de eliminar todo o tecido canceroso. O diagnóstico foi confirmado por exames histológicos realizados durante a própria cirurgia.

Recuperação e próximos passos

O Vaticano informou que o papa acordou bem, está descansando em seu quarto e deve permanecer hospitalizado por aproximadamente uma semana. Como medida de precaução, todos os seus compromissos públicos foram cancelados até o dia 20 de outubro.

Especialistas médicos consultados destacam que, embora a cirurgia tenha sido bem-sucedida, o prognóstico definitivo dependerá da análise conclusiva do tamanho do tumor e do envolvimento dos gânglios linfáticos.

Histórico de saúde do papa

Nascido em Chicago em 1955 como Robert Prevost, o pontífice tem 71 anos e é considerado relativamente jovem para a liderança da Igreja Católica. Eleito pelos cardeais em maio de 2025 para suceder o papa Francisco (falecido em abril daquele mesmo ano), Leão mantém hábitos saudáveis, gosta de praticar esportes como tênis e não possui histórico de tabagismo.

Antes de ser eleito papa, Robert Prevost atuou por décadas como missionário e bispo no Peru. Foi durante esse período que ele enfrentou um dos momentos mais marcantes de sua vida pessoal e de sua saúde:

A experiência com a febre tifoide

Em 1985, enquanto servia como jovem padre na cidade de Chulucanas, no Peru, contraiu febre tifoide e precisou ser hospitalizado. Em sua única grande entrevista como papa — concedida para um livro publicado pela Penguin Peru —, ele revelou que a dor causada pela doença era tão intensa que chegou a pedir a Deus para morrer.

Um divisor de águas

Sua sobrevivência à enfermidade foi interpretada por ele como um sinal divino de que sua missão na Terra ainda não havia terminado. “Nunca mais olhei para trás”, declarou o pontífice ao relembrar o episódio.

Como máxima autoridade da Igreja Católica para cerca de 1,4 bilhão de fiéis, o papa não possui um substituto direto para assumir suas funções durante enfermidades. Enquanto ele se recupera, a burocracia do Vaticano mantém os trabalhos rotineiros, e a expectativa é de que ele siga com sua agenda prevista, que inclui uma viagem de 11 dias pela América do Sul (Uruguai, Argentina e Peru) em novembro.