A redução ou o congelamento de benefícios sociais e previdenciários pode provocar perdas econômicas em municípios do interior do Brasil. A conclusão é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), divulgado nesta semana.
Segundo o levantamento, aposentadorias, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) representam uma parcela importante da renda das famílias de baixa renda e contribuem diretamente para a movimentação do comércio local.
A pesquisa aponta que, sem reajustes reais nos benefícios, a renda agregada dos municípios do interior poderia ficar entre 6,8% e 10,8% abaixo do patamar projetado com a manutenção da valorização. Em estados como Rio Grande do Norte, Amapá e Piauí, a diferença poderia chegar a 18%.
O estudo também estima que a ausência de ganhos reais entre 2022 e 2025 poderia ter levado aproximadamente 2,7 milhões de pessoas à pobreza, sendo 2,4 milhões à extrema pobreza, em municípios fora das regiões metropolitanas.
De acordo com a economista Luiza Nassif, pesquisadora do Made-USP, os recursos recebidos pelas famílias são utilizados principalmente na compra de produtos essenciais, contribuindo para a geração de empregos e a arrecadação municipal.
Os pesquisadores destacam que a manutenção do poder de compra dos benefícios tem impacto não apenas sobre os beneficiários, mas também sobre a atividade econômica das cidades que dependem dessa circulação de recursos.
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Fonte: Agência Brasil
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