Pesquisas decretam: não há nada definido nas eleições presidenciais

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Eduardo Sartorato

As estrelas das campanhas eleitorais são sempre as Vossas Excelências, as pesquisas de intenções de voto. Com uma disputa de segundo turno tão apertada como a atual para a presidência da República, elas ganham ainda mais importância. Mas o que os institutos de pesquisa estão mostrando hoje? Sem ‘medo de errar’, indicam que a disputa está completamente aberta e que qualquer movimento, mesmo de intensidade leve, vai decidir a eleição para o presidente Lula (PT) ou para o senador Flávio Bolsonaro (PL).

É bom lembrar que escrevo este texto no fim da tarde de terça-feira (20/10). Ainda estão previstas mais duas pesquisas, Datafolha e Quaest – a primeira vai divulgar novos números na quinta (22/10) e no sábado (24/10), enquanto que a segunda revela seus porcentuais na quarta (21/10) e também no sábado. Outros institutos também têm pesquisas previstas. Até aqui, o cenário é de equilíbrio absoluto.

(Atenção, todos os porcentuais abaixo são de votos válidos, utilizados pelo TSE para apontar o vencedor)

PoderData tem quatro rodadas no segundo turno, com grandes variações

A primeira pesquisa do segundo turno do PoderData, divulgada no dia 8/10, mostrou uma vantagem de seis pontos para Flávio Bolsonaro – 53% a 47%. De lá para cá, essa margem caiu bastante, para 51% a 49%, na segunda rodada, e foi para o empate de 50% cada, na terceira. Agora, na pesquisa divulgada nesta segunda (19/10), Flávio voltou a abrir quatro pontos. Com exceção da primeira, as outras todas, porém, estão dentro (ou próximas) da margem de erro, de 1,8 ponto porcentual para mais ou para menos.

Do outro lado, a Vox Brasil tem colocado Lula numericamente na frente. Os resultados, contudo, também esbarram na margem de erro. Na sexta-feira (9/10), o instituto deu 50,86% dos votos válidos para Lula e 49,14% para Flávio. Já no domingo (18/10), a Vox Brasil apresentou Lula com 51% das intenções de voto e 49% para seu adversário. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.

Datafolha e Quaest também mostram números dentro da margem de erro

Da mesma forma, os institutos mais reconhecidos não conseguem apontar uma posição clara para o resultado final do segundo turno. A Datafolha divulgou, na quinta-feira (8/10), a primeira pesquisa do segundo turno. Ela mostrou Flávio com 52% e Lula com 48%. Já na segunda semana, essa diferença caiu para 51% a 49%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, ou seja, tudo indefinido.

Já a Quaest divulgou apenas uma pesquisa, na última quarta-feira (14/10), quando mostrou Flávio com 51% e Lula com 49% das intenções de voto. A margem de erro também é de dois pontos percentuais.

Atlas tem margem de erro pequena, mas não acertou no primeiro turno

A primeira AtlasIntel do segundo turno, divulgada no dia 9/10, apontou 52,8% para Flávio contra 47,2% para Lula. A segunda rodada teve os números revelados na segunda (19/10), com um avanço de Lula – 51,1% para o senador do PL contra 48,9% para o presidente petista.

A diferença da Atlas é que a margem de erro é de apenas um ponto porcentual, o que coloca o resultado mais recente fora, porém perto, do limite da margem de erro. E é bom lembrar também que a pequena margem de erro da Atlas não a ajudou a reduzir o erro no primeiro turno, quando, um dia antes da votação, o instituto apontou Lula à frente com uma diferença de 2,9 pontos. O senador do PL terminou a apuração com uma vantagem de 1,87 ponto.

BTG/Nexus mostra quase um empate numérico

Já a BTG/Nexus apresentou uma diferença de quatro pontos pró-Flávio na sua primeira pesquisa do segundo turno, divulgada na terça (13/10) – 52% a 48%. Já na segunda-feira (19/10), a diferença caiu consideravelmente, de quatro para 0,6 ponto – 50,3% a 49,7%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, ou seja, ambos os resultados estão dentro dela.

Os demais institutos, quase todos eles, exploram variações desses seis citados acima. Com exceção da Vox, eles mostram Flávio na frente, mas com uma ligeira diferença, que vai de um a quatro pontos porcentuais, dentro (ou perto) da margem de erro. Os que fizeram pelo menos duas rodadas indicam ainda uma aproximação de Lula a partir da segunda semana, o que deixa o cenário mais indefinido e gera questionamentos.

Alguns deles são: a melhora de Lula é uma onda? Se for, é grande o bastante para garantir a virada? A direita, normalmente, tem mais chegada na hora do voto, isso se repetirá nesse domingo (25/10)? E os indecisos, que ainda são muitos, vão definir um lado, ou não votarão (nulo, brancos e abstenção)? Tudo isso indica que, apesar das diferentes versões numéricas, até agora, o que os institutos mostram, na realidade, é um grande ponto de interrogação.