Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira

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O Palácio Itamaraty emitiu uma nota de repúdio nesta terça-feira (20) em resposta às recentes ofensas proferidas pelo presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de insinuações sobre fraude nas eleições.

O líder do país vizinho utilizou suas redes sociais para atacar Lula, que é candidato à reeleição, insinuando a possibilidade de irregularidades nas eleições, cujo segundo turno ocorrerá no próximo domingo (25). Vale ressaltar que Milei é um aliado declarado da família Bolsonaro.

A nota emitida pela pasta das Relações Exteriores destaca: “As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.

Postagens Controversas

Em uma postagem na rede social X, Milei compartilhou um trecho da entrevista de Lula ao SBT, concedida na noite anterior, e expressou sua expectativa de que “o último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição”.

Além disso, Milei publicou outro post, com um trecho do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, que ocorreu no último domingo (18), no qual descreve Lula como “autoritário adorado pelos progressistas locais”.

Resposta do Itamaraty

Na nota de repúdio, o Itamaraty enfatiza que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. A pasta considera essa manifestação como “inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.

O Itamaraty reafirmou também que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”.

Para finalizar, a nota destaca que “a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”.

Relações Bilaterais em Deterioração

As sucessivas agressões verbais de Milei contra Lula e o Brasil resultaram no rebaixamento das relações bilaterais entre Brasília e Buenos Aires nos últimos meses. Desde agosto, o Brasil não mantém mais embaixador na Argentina e determinou que o embaixador argentino deixasse a capital federal. Os insultos de Milei foram considerados um desrespeito inaceitável para as relações bilaterais.

Desde então, o Brasil está sendo representado na Argentina por um Encarregado de Negócios, um cargo inferior que simboliza essa diminuição diplomática.

Em 26 de julho, o embaixador brasileiro, Bitelli, foi convocado a retornar a Brasília após Milei ter ofendido o presidente Lula em uma convenção partidária do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência da República.

Nessa ocasião, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do julgamento que condenou o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O Brasil, como principal parceiro comercial da Argentina, mantém uma relação comercial significativa, especialmente nos setores automotivo e industrial, reforçando a integração econômica entre os dois países.