Prévia da inflação oficial apresenta queda e encerra outubro em 0,32%

Compartilhe

A prévia da inflação oficial de outubro registrou 0,32%, menos da metade do índice do mês anterior, que foi de 0,7%. A informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23).

Esse resultado faz com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumule 4,62% nos últimos 12 meses, um patamar que ultrapassa a meta do governo, estabelecida em até 4,5% ao ano. Em setembro, o acumulado de 12 meses era de 4,47%. Com relação ao mês de outubro de 2025, o índice apresentou uma variação de 0,18%.

Comportamento dos Grupos de Produtos e Serviços

O IBGE analisou o comportamento dos grupos de produtos e serviços em outubro, que apresentaram as seguintes variações:

  • Alimentação e bebidas: 0,88% (impacto de 0,19 ponto percentual)
  • Despesas pessoais: 0,55% (0,06 p.p.)
  • Vestuário: 0,53% (0,02 p.p.)
  • Comunicação: 0,43% (0,02 p.p.)
  • Artigos de residência: 0,28% (0,01 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,15% (0,02 p.p.)
  • Educação: 0,09% (0,01 p.p.)
  • Transportes: 0,05% (0,01 p.p.)
  • Habitação: -0,10% (-0,02 p.p.)

No grupo alimentação e bebidas, o IBGE destacou que a alimentação no domicílio subiu 1,01%, uma variação acima dos 0,38% registrados em setembro. Entre as maiores altas desse grupo, destacam-se:

  • Tomate: 24,54%
  • Cebola: 13,63%
  • Batata-inglesa: 10,96%
  • Arroz: 5,80%

O tomate foi o item que mais pressionou o IPCA-15. Por outro lado, os principais recuos foram observados em:

  • Cenoura: -10,67%
  • Frutas: -1,37%
  • Café moído: -1,16%

No setor de transporte, a alta foi impulsionada pelos combustíveis, que registraram um aumento de 1,2% em outubro, sendo que o preço do óleo diesel subiu 3,70%, o etanol 2,73% e a gasolina 0,92%. O gás veicular, por sua vez, teve uma diminuição de 0,18%.

As passagens aéreas também contribuíram para a diminuição da inflação, com uma média de 9,24% a menos, representando um impacto de -0,08 ponto percentual.

Retração no Setor de Habitação

O único grupo que apresentou retração foi o de habitação, com -0,10%, sendo a principal contribuição negativa vinda do custo da energia elétrica residencial, que variou -0,89%. Esta situação se deve à mudança na bandeira tarifária, que passou de amarela para verde, eliminando cobranças adicionais para os consumidores.

Em setembro, a conta de luz havia aumentado 7,42%, sendo o principal motor de alta do IPCA-15 devido à devolução do bônus de Itaipu, que resultou em um desconto nas contas de agosto. Sem esse desconto, os preços retornaram ao normal em setembro.

Avisos de Especialistas

Na avaliação do economista Roberto Luis Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), embora a desaceleração mensal seja positiva, ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação. “A desaceleração mensal é bem-vinda, mas ainda não demonstra uma trajetória consistente de queda da inflação. Em resumo: ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou”, avaliou.

Diferenças entre IPCA-15 e IPCA

O IPCA-15 é definido com uma metodologia semelhante à do IPCA, que é a inflação oficial e base para a política de meta de inflação do governo, com um alvo de 3% no acumulado em 12 meses, tolerando uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A diferença entre os indicadores está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. O IPCA-15 abrange dados coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro e considera uma cesta de 367 produtos e serviços em 11 localidades do país, enquanto o IPCA coleta em 16 localidades.

A divulgação do IPCA completo de outubro está prevista para 12 de novembro. O boletim Focus da última segunda-feira (19), sondagem do Banco Central (BC) junto a instituições do mercado financeiro, indica que se espera uma inflação de 0,32% para outubro.