As perspectivas para o novo governo, as oscilações do mercado e a necessidade de avanços regulatórios estão entre os desafios enfrentados pelo setor de bioenergia no Brasil. O tema é um dos principais debates da 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada na segunda e terça-feira (26 e 27) no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo. O evento contou com a participação de André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg) e do Sindicato da Indústria de Fabricação de Açúcar do Estado de Goiás (Sifaçúcar).
Durante o encontro, Rocha destacou a complexidade dos desafios enfrentados pelo setor, que abrange questões como mudanças climáticas, inteligência artificial, transição energética e regulamentação dos biocombustíveis. Uma das oportunidades em discussão foi o uso do etanol no transporte marítimo, que requer avanços regulatórios para explorar seu potencial. “Temos muitos desafios pela frente, desde a inteligência artificial e as mudanças climáticas até a transição energética. A regulamentação do etanol para uso marítimo é uma nova fronteira que precisamos estudar e desenvolver”, afirmou Rocha.
Desafios e oportunidades no setor
O dirigente também enfatizou a importância das discussões sobre a safra brasileira e mundial, o mercado de açúcar e as perspectivas para o setor diante do novo cenário político e econômico. A definição de políticas públicas e de regras para a atividade influencia diretamente as decisões empresariais, o planejamento de longo prazo e as condições para novos investimentos.
Bioenergia e segurança energética
A conferência reúne autoridades dos poderes Executivo e Legislativo, além de lideranças empresariais de entidades do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), União Nacional do Etanol de Milho (Unem), União dos Produtores de Bioenergia (UDOP), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e NovaBio, além de representantes da Marinha do Brasil.
Na abertura da conferência, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, ressaltou a importância do etanol na matriz energética brasileira. Segundo ele, o biocombustível já substitui o equivalente a 50,2% da gasolina consumida no país. Nastari também mencionou a Lei do Combustível do Futuro como um marco para expandir as oportunidades do setor e fortalecer a transição energética.
A programação do evento inclui discussões sobre as perspectivas para a safra 2026/2027, comércio internacional, bioeletricidade, biogás, etanol de segunda geração e combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).


