O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai continuar respondendo a dois processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após deixar o Brasil e se dirigir aos Estados Unidos.
Por ter foro privilegiado na Corte, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, é alvo de duas investigações criminais que tramitam no STF.
Investigações em andamento
O parlamentar é alvo de um processo que investiga o advogado Willer Tomaz, denunciado por lavagem de dinheiro relacionada a negócios envolvendo apostas. Conforme as investigações, o nome do senador foi mencionado por uma secretária de Willer, que teria informado ao advogado sobre o cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e investigada pela Polícia Federal (PF).
Na semana passada, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões das contas de Willer Tomaz. As medidas adotadas logo após a PF descobrir que o advogado viajou para Miami, nos Estados Unidos. Após ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias.
Outros processos em segredo
O senador também é alvo de um inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente. O filme, que retrata a vida política de Bolsonaro, ganhou notoriedade após o site The Intercept revelar que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, que ocorreu em novembro do ano passado, o senador negou combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro, afirmando que os recursos privados. Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro incluído no inquérito e passou assim investigado.
Mandato e foro privilegiado
Apesar de não eleito para o cargo de presidente da República, Flávio manterá seu mandato de senador até o dia 1º de fevereiro. A tendência é que as duas investigações continuem em tramitação no Supremo após o término do mandato.
De acordo com a atual jurisprudência da Corte, a competência do STF para julgar ex-parlamentares se mantém após o encerramento do mandato. Assim, nos casos em que os crimes estiverem ligados à função pública.
Confirmação da fuga
Nesta terça-feira (27), o investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, publicou uma postagem nas redes sociais indicando que Flávio Bolsonaro teria chegado aos Estados Unidos, em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A possível fuga de Flávio, que ocorreu menos de 48 horas após perder as eleições presidenciais, assim confirmada pela agência de notícias Reuters.
Um dia após a derrota na disputa presidencial, o senador assim proibido de deixar o Brasil e intimado pela PF a entregar todos os seus passaportes em 24 horas. O prazo terminou na manhã de hoje, e os documentos não foram entregues, resultando em seu cancelamento.
Fonte: Agência Brasil


