Depois de permanecer sem atividades desde 2009, a sede social do Jóquei Clube de Goiás, na Avenida Anhanguera, no Setor Central de Goiânia, começou a passar por uma força-tarefa de limpeza e organização. A primeira etapa do mutirão foi concluída nesse sábado (7), após três dias de trabalho que reuniram cerca de 50 voluntários, integrantes da diretoria, conselheiros e associados.
A mobilização faz parte de um projeto para recuperar a estrutura do imóvel, preservar documentos e objetos históricos e criar condições para a retomada gradual das atividades. A intenção da diretoria é reabrir os espaços ao público e devolver ao clube uma função social, cultural e esportiva na capital.
Durante o mutirão, os voluntários limparam a sala de troféus, duas salas de arquivo, a sala de sinuca e outros ambientes compartilhados. Também começaram a separar e organizar documentos de associados, registros administrativos, contratos e projetos relacionados ao clube e ao Hipódromo da Lagoinha.
De acordo com a presidente do Jóquei Clube, Nívea de Paula, a recuperação pretende preservar a história da instituição e retomar atividades que marcaram a trajetória do espaço, como práticas esportivas, eventos e encontros entre associados.
“Esta força tarefa é só o começo. Estamos entendendo as necessidades do Jóquei Clube e estamos colocando a mão na massa, com os voluntários, com os prestadores de serviços, com quem está disposto a ajudar a cuidar deste patrimônio, que não é só dos joqueanos, é da Capital, é dos goianienses e faz parte da história de todos”, afirmou.
Voluntários ajudam a recuperar documentos e ambientes
A iniciativa é organizada pelo programa Jóquei em Ação, coordenado pelo arquiteto Kildere Whikichan. Segundo ele, aproximadamente 40 a 50 pessoas participaram dos trabalhos ao longo dos três dias, além de funcionários, associados e familiares. Somente neste sábado, cerca de 20 voluntários atuaram diretamente na limpeza.
“Nosso objetivo principal é reativar o clube social. Por isso, mobilizamos essa organização e limpeza”, pontua.
O zelador e prestador de serviços responsável pela manutenção da sede, Wesley Ferreira, acompanha a rotina do imóvel desde que as atividades foram interrompidas. Segundo ele, esta foi a primeira mobilização desse porte voltada à revitalização do espaço.
“Nunca tinha visto uma mobilização tão grande como esta. Um feito para mobilizar os joqueanos para participar e reativar esse espaço”, contou.
A organização do acervo também integra a força-tarefa. Documentos de associados ativos, inativos e remidos, contratos e registros administrativos estão sendo identificados e separados para posterior catalogação e digitalização.
O historiador e voluntário Johnathan Reis participou dessa etapa. Ele conta que decidiu ajudar depois de receber o convite para a mobilização pelas redes sociais, por meio do pai.
“Vi um anúncio, um convite nas redes sociais, por meio do meu pai, e vim contribuir com o Jóquei, que é um patrimônio histórico para Goiânia e precisa ser revitalizado para toda a população. Na minha área, encontrei e estou organizando vários documentos, inclusive, que têm muita importância e devem ajudar na reestruturação da entidade”, descreveu.
O vice-presidente do clube, Isnard Júnior, afirma que a mobilização busca aproximar novamente os associados da sede social. Ele cita a retomada das atividades no Hipódromo da Lagoinha como referência para o projeto.
“É uma união, com voluntários, funcionários, sócios e quem está querendo resgatar a nossa história”, disse.
Clube estuda eventos para o Carnaval de 2027
Entre os planos para a reativação está a possibilidade de receber eventos ligados ao Carnaval de Goiânia em 2027. A diretoria avalia utilizar o estacionamento e o salão da sede para receber blocos carnavalescos e outras atividades, desde que os espaços atendam às exigências técnicas e de segurança.
Nívea de Paula afirma que a proposta busca recuperar uma tradição do clube na programação carnavalesca da capital.
“Um dos projetos é trazer o carnaval de blocos, que é tão tradicional em Goiânia, para o Jóquei Clube. O clube sempre teve essa tradição. Ainda que a gente não consiga fazer um grande evento interno, temos o espaço do estacionamento e do salão, e queremos viabilizar o carnaval de blocos aqui”, afirma a presidente.
A diretoria também pretende ampliar as parcerias com entidades e instituições interessadas em contribuir com a recuperação do imóvel. A ideia é reunir apoio para viabilizar as intervenções necessárias e permitir que o espaço volte a receber atividades culturais, sociais e esportivas.
O presidente do Conselho Deliberativo, Maurício Roriz, lembra que a sede já abrigou 16 modalidades esportivas e recebeu competições municipais, estaduais e nacionais. Para ele, a recuperação pode devolver à instituição o papel que teve na formação de atletas e na vida esportiva da cidade.
O presidente do Conselho Fiscal, Marcelo Alvim, também destaca a participação de pessoas de diferentes áreas profissionais no projeto de retomada. Segundo ele, a mobilização reúne diferentes perspectivas em torno da recuperação do patrimônio.
Sede é alvo de disputa judicial com a Prefeitura de Goiânia
Enquanto organiza a recuperação do imóvel, o Jóquei Clube também enfrenta uma disputa judicial com a Prefeitura de Goiânia. O município move um processo de desapropriação da sede social, enquanto a entidade questiona valores relacionados a débitos tributários e os critérios utilizados para calcular uma eventual indenização.
Conforme os dados do processo, a Prefeitura atribui ao clube um passivo tributário de aproximadamente R$ 226,97 milhões. Desse total, R$ 51,08 milhões estariam relacionados aos imóveis incluídos na desapropriação. A defesa da entidade contesta os critérios de cobrança e a legalidade do uso desses débitos para reduzir o valor da indenização.
A presidente Nívea de Paula afirma que o processo ainda não foi concluído e que a diretoria pretende demonstrar a capacidade dos próprios associados de recuperar e administrar o espaço.
“Ainda é muito cedo para falar em conclusão de desapropriação, para falar da perda deste espaço. O Joquei Clube está resgatando e reconstruindo o espaço, estamos transformando e dando continuidade para mostrar para o município que as pessoas mais capazes de coordenar o espaço são os próprios joqueanos”, concluiu.


