Pela primeira vez no Brasil, pacientes estão sendo encaminhados para testagem genética para detecção do câncer de mama pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O processo inicia na atenção primária, onde mais de 600 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos, foram capacitados para identificar mulheres que atendem aos critérios para os exames.
Dentre esses critérios, está o histórico familiar de câncer de mama, envolvendo dois parentes consanguíneos de primeiro, segundo ou até terceiro grau.
Um exemplo é Júlia Beatriz Dani Rinaldi, professora de matemática e servidora pública de Rio Verde, que decidiu participar do programa ao saber que sua mãe e sua tia enfrentaram a doença. “Assim que soube que em Goiás é possível fazer exames para detectar essa herança genética, quis participar. Espero que não dê nada”, compartilha.
O projeto Goiás Todo Rosa, lançado durante a campanha Outubro Rosa de 2023, realiza o encaminhamento das mulheres, através da regulação estadual, para consultas com mastologistas e ginecologistas, seguidas pela coleta de um exame de sangue que verifica a presença de mutações genéticas associadas ao câncer de mama.
O sequenciamento é realizado no Centro de Genética Humana (Cegh) da Universidade Federal de Goiás (UFG), que é parceira do projeto. O secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, enfatiza a importância da iniciativa: “Goiás é pioneiro na implementação desse exame”.
Embora estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas tenham legislações que preveem o exame, apenas Goiás efetivou a Lei 20.707 de 2020 no ano passado e iniciou a realização dos testes gratuitos em 2023. A geneticista Elisângela Lacerda, responsável pelo sequenciamento no Cegh/UFG, explica que, após a avaliação do painel genético, a paciente pode escolher qual tratamento seguir. “É uma decisão dela, caso o resultado seja positivo, sobre realizar a cirurgia de retirada da mama ou optar por uma cirurgia reparadora”, detalha.
O câncer de mama é um grave problema de saúde pública, sendo o segundo tipo mais mortal entre mulheres. Entre 5% e 10% dos diagnósticos dessa doença e cerca de 5% dos casos de câncer de ovário estão relacionados a alterações genéticas herdadas. O teste genético, portanto, pode ser crucial na prevenção do câncer, proporcionando às mulheres a oportunidade de levar uma vida mais longa e saudável. Mais informações no site da SES-GO.
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