Brasil “inicia” Copa com time ainda por evoluir, mas com caminho mais tranquilo

Compartilhe

Eduardo Sartorato

Há uma máxima que a Copa do Mundo, para as grandes seleções, começa na fase oitavas-de-final. Esse ano, devido ao aumento no número de países, de 32 para 48, a fase de confrontos eliminatórios, o famoso mata-mata, iniciou antes. Algumas seleções tradicionais já ficaram para trás, como a Alemanha e a Holanda, mas isso não diminui a tradição de considerar a fase dos dezesseis melhores como o início do funil mais relevante do torneio.

Com um ciclo muito complicado e lacunas geracionais, como a falta de melhor mão-de-obra, principalmente para o meio campo e a defesa, o Brasil enfrenta no domingo, às 17h, a Noruega. É a busca por uma vaga na nobre fase de quartas-de-final. Com três vitórias e um empate, a campanha nos números não é ruim, mas em campo é possível notar fraquezas que certamente serão exploradas pelos próximos adversários.

Apesar do Brasil ter apresentado um time mais organizado com o técnico italiano Carlo Ancelotti, a marcação no meio e os buracos na zaga ainda são problemáticos. Os dois gols que o Brasil levou até agora ocorreram por desatenção e falta de efetividade nestes setores. Do lado positivo, a equipe brasileira tem um ataque rápido, comandado por Vini Jr. Pode pressionar o adversário com intensidade e, quando identifica um espaço, quase sempre é mortal.

Brasil enfrenta situação nova na Copa contra a Noruega

Contra a Noruega, porém, o Brasil vai ter que enfrentar uma situação de jogo que até agora não teve pela frente. O ataque norueguês é a grande arma da equipe, com o artilheiro Erling Haaland sendo um dos grandes destaques. Marrocos, Haiti e Escócia adotam um jogo mais defensivo, principalmente contra o Brasil. O Japão tentou sair mais para o ataque, mas não mostrou qualidade na frente.

De qualquer forma, a Noruega não deve ser visto como um bicho papão. O jogo tem tudo para ser equilibrado, tenso, mas o Brasil tem condições de passar. Se isso ocorrer, nas quartas-de-final, não terá um caminho tão complicado quando se imagina para uma fase avançada. Enquanto Marrocos, companheiro de grupo do Brasil, cruzará com a França (se ambos vencerem seus jogos nas oitavas), o Brasil terá pela frente México, Inglaterra ou Congo.

Para a fase em que só estarão os oito melhores, não é nada mal. Se for o México, terá o atenuante de o jogo ser nos Estados Unidos. Seria o primeiro da seleção mexicana fora de seu país, onde a torcida cria um verdadeiro alçapão. A Inglaterra é uma equipe forte, que merece todo o respeito, mas atualmente não está entre as melhores da Europa. Possui um grande artilheiro, Harry Kane, mas tem dificuldades em criar situações para que ele possa fazer os gols. O Congo, por fim, é o azarão dentre os três; se chegar às quartas já seria um feito inimaginável.

Tabu brasileiro na Copa

O certo é que para o Brasil sonhar com algo a mais nesta Copa, terá que mostrar soluções para suas fragilidades, além de conseguir crescer na parte final da competição. A equipe ainda não está pronta. Além disso, para quem gosta de tabus, a equipe terá que superar um dos grandes. O Brasil não vence uma equipe europeia em mata-mata de Copa desde 2002, quando venceu a Alemanha na final por 2 a 0. Em todas as edições posteriores, a seleção perdeu para europeus (França-2006, Holanda-2010, Alemanha-2014, Bélgica-2018 e Croácia-2022). Assim, se quiser chegar à sexta estrela, terá que mostrar evolução e superação já a partir do próximo domingo.

Newsletter

Receba nossas novidades em primeira mão, assine nossa newsletter.