Entre as águas refrescantes do Rio Araguaia e a vastidão do Cerrado goiano, uma tradição atravessa gerações, levando, passo a passo, uma mensagem de respeito à natureza. Ao longo de mais de três décadas, homens e mulheres percorrem centenas de quilômetros sob o sol do inverno goiano, transformando o esforço físico em um convite à reflexão sobre a importância de preservar um dos biomas mais ricos do planeta. Mais do que uma prova de resistência, a Caminhada Ecológica tornou-se um símbolo da conscientização ambiental e da identidade cultural de Goiás.
Nesta terça-feira (21/7), os atletas deram início à 33ª edição da Caminhada Ecológica. Este ano, 30 participantes largaram do Santuário do Divino Pai Eterno, após participarem de uma missa campal. Hoje, a equipe percorrerá 74 km, passando por Trindade, Goianira, Brazabrantes e Caturaí, com previsão de pernoite em Itauçu.
Um desafio de resistência e reflexão
O desafio de 310 quilômetros, a serem percorridos em 5 dias, reúne atletas que, ao enfrentarem seus limites físicos, também levantam a bandeira da conscientização ambiental, destacando a urgência de proteger o nosso bioma.
Reconhecimento da Caminhada Ecológica
Foi com esse entendimento que a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) aprovou o projeto de lei que reconhece a Caminhada Ecológica, realizada anualmente no mês de julho, como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Goiás. A proposta foi convertida na Lei nº 24.353, de 15 de junho de 2026. Na Casa de Leis, a proposta tramitou sob o nº 3269/26.
A proposta tem por objetivo, segundo a justificativa, reconhecer a relevância histórica, cultural, ambiental e social da caminhada, que se consolidou como uma importante manifestação de integração social, incentivo ao turismo sustentável e fortalecimento da identidade cultural goiana.
O texto também destaca que a iniciativa busca promover a preservação do bioma Cerrado, a proteção da fauna e da flora e a conscientização sobre a conservação dos recursos naturais, com especial atenção à importância ecológica do Rio Araguaia.
Ações de educação ambiental
Ainda de acordo com a justificativa, durante a realização do evento são desenvolvidas ações de educação ambiental, plantio de mudas e atividades de sensibilização voltadas à preservação do meio ambiente, reforçando o caráter pedagógico e socioambiental da caminhada. O documento também ressalta que a iniciativa contribui para ampliar o debate sobre a proteção dos animais silvestres e a conservação da biodiversidade nas regiões percorridas.
Na edição de 2025, a Caminhada Ecológica também reuniu 30 atletas, que percorreram o mesmo trajeto entre Trindade e Aruanã. Com o tema “Hora de agir”, a iniciativa levou às 11 cidades do percurso a mensagem “Quem cuida hoje, protege amanhã”, reforçando a importância da preservação do Cerrado e do Rio Araguaia.
Conscientização e futuro
Na ocasião, a participante Sandra Rodrigues destacou, em entrevista à Agência Assembleia de Notícias, que a principal motivação dos caminhantes era conscientizar a população sobre a preservação ambiental. “A preservação da natureza está precisando ser levada a todos os campos. Tenho sido muito grata a Deus por estar levando essa mensagem”, afirmou.
Também durante a edição de 2025, a atleta Suédina Gouvea ressaltou que a caminhada vai além do desafio físico e busca despertar a consciência ambiental, especialmente entre as novas gerações. “A preservação ambiental é um trabalho de sementinha e várias crianças acompanham nossa chegada às cidades. No futuro, elas irão preservar o meio ambiente.”
Realizada há mais de três décadas, a Caminhada Ecológica é fruto da parceria entre instituições de comunicação, instituições acadêmicas, o Governo de Goiás, prefeituras municipais e outras entidades parceiras, unindo esporte, educação ambiental e mobilização social em defesa do Cerrado.


