De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 17,5 milhões de pessoas morrem, anualmente, no mundo, em consequência das doenças cardiovasculares, e o Brasil ocupa o 9º lugar em número de mortes cardíacas. O Ministério da Saúde aponta que 30% dos óbitos no país são ocasionados por essas enfermidades, aproximadamente 300 mil mortes por ano. Neste 14 de agosto, comemoramos o Dia do Cardiologista, o médico responsável por cuidar do coração.
É por meio de consultas regulares a esse especialista que as doenças cardíacas podem ser evitadas ou descobertas logo no início. “Um dos maiores desafios da cardiologia é que muitas doenças evoluem silenciosamente durante anos. Por isso, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam avaliação de risco cardiovascular mesmo na ausência de sintomas, especialmente a partir dos 40 anos ou antes, se houver fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade ou histórico familiar de infarto precoce”, orienta a cardiologista Lorena Rebouças.
Prevenção e Sintomas
A especialista, que atua no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, elenca alguns sintomas que exigem atenção para a necessidade de uma avaliação médica. “Dor ou desconforto no peito, mesmo que leves e apenas com esforço; falta de ar desproporcional à atividade realizada; palpitações persistentes; inchaço nas pernas; tontura ou desmaios e cansaço inexplicado”.
Ela cita que as enfermidades cardíacas mais comuns são a doença arterial coronariana (aterosclerose), responsável pela maioria dos infartos; hipertensão arterial, que sobrecarrega silenciosamente o coração e os vasos; insuficiência cardíaca, condição em que o coração perde a capacidade de bombear sangue adequadamente; arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, que aumentam o risco de AVC; e doenças das válvulas cardíacas, frequentemente observadas em idosos, mas também podem afetar pacientes com alterações congênitas ou reumáticas.
Cinco males evitáveis
Lorena Rebouças ressalta que uma única consulta ao cardiologista pode representar a oportunidade de identificar fatores de risco e iniciar medidas preventivas antes do surgimento de complicações. A médica lista a seguir as condições que podem ser prevenidas ou detectadas precocemente:
- Infarto do miocárdio: a detecção precoce de placas ateroscleróticas, por meio de exames como o escore de cálcio coronariano ou a angiotomografia de coronárias, permite intervenção antes do evento agudo.
- AVC de origem cardíaca: a triagem de fibrilação atrial e a avaliação do risco cardio-embólico reduzem significativamente esse risco.
- Insuficiência cardíaca: o controle precoce da hipertensão e a identificação de disfunção ventricular ainda assintomática, por meio do ecocardiograma, evitam a progressão da doença.
- Morte súbita: a identificação de arritmias e cardiopatias estruturais, como as miocardiopatias, antes de um evento fatal é especialmente relevante em atletas e em pessoas com histórico familiar.
- Doença valvar avançada: o diagnóstico precoce de valvopatias, como a estenose aórtica, permite a intervenção no momento certo, antes que ocorra disfunção ventricular irreversível.
Exames e Tratamentos
Especialista em imagens cardíacas, Lorena Rebouças lista os exames comumente realizados para detectar essas doenças. “O eletrocardiograma (ECG) é um exame inicial de triagem, útil na identificação de arritmias e sinais de isquemia. O ecocardiograma avalia a estrutura e função do coração, câmaras e válvulas. Os testes de isquemia incluem o ergométrico (esteira), a ecocardiografia sob estresse e a cintilografia miocárdica. Temos também a angiotomografia de coronárias, a ressonância magnética cardíaca e o escore de cálcio coronariano”.
A médica destaca que o tratamento depende da doença diagnosticada, mas que a cardiologia atual dispõe de recursos altamente eficazes. “Eles incluem mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, cessação do tabagismo e sono adequado. Tratamento medicamentoso individualizado para controle da pressão arterial, colesterol, diabetes, insuficiência cardíaca e arritmias. Procedimentos minimamente invasivos, cirurgias cardíacas e acompanhamento longitudinal, que permite monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento ao longo do tempo”.
Para a especialista, a prevenção continua sendo o mais eficaz tratamento para preservar não apenas o coração, mas também a qualidade e a expectativa de vida. “O maior avanço da cardiologia moderna talvez seja a mudança de paradigma. Hoje buscamos não apenas tratar doenças estabelecidas, mas identificar pessoas em risco e agir antes que ocorram infarto, AVC ou insuficiência cardíaca. A melhor consulta cardiológica é aquela que evita que o paciente precise enfrentar uma emergência”, finaliza Lorena Rebouças.





