Eduardo Sartorato
Candidato ao governo do Estado, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) defendeu que o próximo comandante do Executivo goiano vai ter que trabalhar politicamente para evitar a desindustrialização do Estado, devido à reforma tributária que começará a reduzir os incentivos fiscais a partir de 2027. Marconi participou de sabatina, na tarde desta quarta-feira (16/9), realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
Em sua fala, o tucano disse que discutir o desenvolvimento de Goiás a partir do período em que a reforma tributária passará a vigorar “conversa fiada”. “Goiás dormiu em berço esplêndido e cochilou. O Estado do Amazonas atuou e manteve a Zona Franca. E é para lá que vão as principais indústrias farmacêuticas”, opinou.
Para Marconi, a grande questão, a partir do ano que vem, “não é como atrair novas indústrias, mas como não perder” as atuais indústrias goianas. Assim, o candidato defende que é necessária uma mudança na reforma tributária. “Eu não tenho vergonha em defender os incentivos fiscais. Eu não me omito”, ressaltou. “Só tem um jeito, o novo líder de Goiás precisa trabalhar (politicamente)”, defendeu.
Tecnologia, Inteligência Artificial e desenvolvimento
O candidato Marconi Perillo defendeu também investimentos no setor tecnológico para que Goiás consiga agregar valor na cadeia produtiva. “Hoje, temos a referência da academia, com a Universidade Federal de Goiás e seu polo tecnológico. E eu ajudei a criação dele com R$ 5 milhões via Fapeg, na época. Hoje, já rendeu mais de R$ 500 milhões. Essa Inteligência Artificial (IA) da Rede Globo e do Itaú foi desenvolvida aqui”, disse.
O tucano também revelou que vai estimular outras profissões, além das tecnológicas, já que, segundo ele, há demanda de profissões técnicas. Além disso, ele apresentou números do que vislumbra fazer em infraestrutura. “Eu pretendo fazer 300 km de duplicações e 3 mil km de novas estradas. Não vou criar taxa do agro”, disse, alfinetando o governo de Ronaldo Caiado (PSD).
Marconi Perillo disse ainda que, em um hipotético novo governo, vai nomear um secretário de Meio Ambiente que seja ligado ao desenvolvimento econômico. “O Papa Paulo VI disse que o desenvolvimento é o garantidor da paz. Então precisamos de desenvolvimento. Com preservação ambiental, claro”, ressaltou.
Tucano quer aliança com setor produtivo
De acordo com Marconi, Goiás foi ultrapassado em vários indicadores por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul nos últimos anos. “Então temos que trabalhar para recuperar o tempo perdido”, disse. “Se eu vencer, vamos fazer uma aliança com o setor produtivo, com todos vocês”, prometeu. Disse também que, se eleito, vai anunciar o secretário de Indústria e Comércio na sede da Fieg.
Marconi foi o primeiro candidato ao governo do Estado a participar da sabatina. Os outros três principais candidatos – Daniel Vilela (MDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) – também foram convidados e terão seus dias agendados nas próximas semanas.
Presidente André Rocha destaca oportunidade para discutir o futuro do Estado
O presidente da Fieg, André Rocha, abriu a sabatina com o candidato Marconi Perillo ressaltando a importância de se criar diálogo entre os candidatos e o setor produtivo, em um momento tão importante como as eleições. “A nossa ideia é que a gente possa discutir o futuro de nosso Estado com o setor industrial. Eleição é uma oportunidade para a gente decidir o futuro. E é importante discutir isso com quem produz e gera empregos no Estado”, disse André.
O presidente lembrou ainda do documento assinado pelos candidatos na sabatina de todo o setor produtivo com os quatro principais candidatos ao governo, no início de setembro. “Cada sindicato formulou o que eles reivindicam e acham que podem melhorar em cada área e colocamos no documento”, disse, destacando prioridade da instituição com as principais demandas dos diversos setores da indústria goiana.




