O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a Taxa Selic nesta quarta-feira (17). O corte foi de 0,25 ponto percentual.
Agora, a taxa básica de juros passa de 14,50% para 14,25% ao ano. Essa é a terceira redução consecutiva nos juros.
O BC utiliza a Selic como um instrumento para desacelerar a economia. Assim, a instituição busca o controle da inflação no país. Juros altos por muito tempo aumentam o custo do crédito. Com isso, fica mais caro parcelar compras, usar o cartão ou financiar imóveis.
Essa alta no custo do crédito diminui o consumo da população. Por outro lado, a redução da taxa estimula a atividade econômica brasileira. A queda também ajuda a diminuir o risco de um descontrole nos preços.
O comitê explicou o ritmo atual de cortes. Na reunião de abril, o Copom sinalizou uma queda mais lenta dos juros. A decisão ocorreu por causa das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Além disso, as expectativas de uma inflação alta por um período mais longo também influenciaram a decisão anterior.
Histórico da Selic
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic foi fixada em 15% ao ano, a maior taxa em quase 20 anos.
O Copom iniciou o processo de corte dos juros em março, em um contexto de queda da inflação. No entanto, o impacto da guerra no Oriente Médio, que resultou em aumento nos preços de combustíveis e alimentos, tem dificultado a diminuição da taxa.
Consequências do conflito no Oriente Médio
O Copom destacou a continuidade das incertezas sobre o acordo para encerrar os conflitos armados no Oriente Médio e as repercussões dos impactos já sentidos como fatores que influenciam sua decisão de cortar a taxa de juros.
A instituição enfatiza a necessidade de cautela entre países emergentes, dado o ambiente de crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, afirmou o Copom em comunicado.
Expectativas e cenário econômico
Em relação à economia doméstica, o comitê observou que os indicadores apontam uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores cíclicos retomando um papel significativo e um mercado de trabalho apresentando sinais de resiliência.
Contudo, as expectativas de inflação cheia aumentaram, afastando-se da meta estabelecida, ultrapassando o limite superior da banda, com projeções para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.
A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período que se inicia em janeiro de 2025 é de 3%, com um intervalo de tolerância de menos 1,50 ponto percentual e mais 1,50 ponto percentual, ou seja, de 1,50% a 4,50%.
“O comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, concluiu o comunicado.
Os indicadores de atividade econômica atuais sugerem uma recuperação em relação ao último trimestre de 2025, com uma trajetória projetada de desaceleração no acumulado de 2026, marcada ainda por “expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho”.
O comitê também ressaltou que o ajuste total dos juros dependerá dos dados econômicos futuros, visando assegurar que a inflação retorne à meta. “Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, concluiu o Copom.


