Daniel assume o governo em cerimônia marcada pela reafirmação da dupla Vilela-Caiado

Ex-governador exalta novo comandante e ratifica estratégia de “dupla afinada”, com o objetivo principal de transferir popularidade a Daniel em seu projeto à reeleição

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Eduardo Sartorato

O vice-governador Daniel Vilela (MDB) tomou posse como governador de Goiás, na tarde desta terça-feira (31/3), após a renúncia do então governador Ronaldo Caiado, que será candidato à presidência da República pelo PSD.

Durante a cerimônia de transferência de governo, na Assembleia Legislativa, as duas lideranças reafirmaram a estratégia eleitoral de conectá-los como uma dupla que construiu a atual administração, avaliada positivamente por mais de 80% do eleitorado, conforme pesquisas.

Daniel Vilela e Ronaldo Caiado adotaram, há alguns dias, o mote de “dupla afinada”, numa tentativa de consolidar no eleitorado goianiense a participação de Daniel no governo estadual. Os discursos de Daniel e Caiado, durante a cerimônia, colocaram ainda mais fichas na estratégia de atrelar as duas lideranças como construtores da atual gestão.

O discurso do deputado Amilton Filho (MDB), em nome da Assembleia, deu o tom deste caminho: “O governo estadual é uma dupla, não é apenas o Caiado, ou apenas o Daniel. Ninguém faz nada sozinho”, conforme ressaltou.

Gestão Caiado

O agora ex-governador Ronaldo Caiado se despediu de 7 anos e 3 meses de governo lembrando as dificuldades, como a situação fiscal do Estado quando ele assumiu, em 2018, além da pandemia de Covid-19. Ele citou também as realizações de seu governo em diversas áreas, como saúde, educação e segurança pública e inseriu Daniel como co-participe do trabalho realizado.

“Esse é o Goiás que construí ao lado do governador Daniel Vilela. Ele governou ao meu lado. Hoje, sabe toda a realidade do Estado. Passou pela Câmara Municipal de Goiânia, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e, agora, é governador”, assim ressaltou.

Caiado ainda disse que a escolha de Daniel Vilela para vice-governador na chapa em 2022 foi estritamente pessoal. “Eu o escolhi como meu vice-governador para continuar o trabalho em Goiás, para governar ao meu lado. Daniel me enfrentou em 2018, por isso que eu fui lá e o busquei”, garantiu. Se voltando ao novo governador, Caiado disse a Daniel: “Tenha aqui um amigo. Estarei aqui ao seu lado. E você estará assinando esse mesmo documento (termo de posse) em janeiro de 2027, tenho certeza absoluta”.

“Me espelho no senhor”


Daniel Vilela retribuiu os elogios e deu sequência à estratégia de mostrar que os dois representam um projeto único. “O senhor (Caiado) fez história. Resgatou o orgulho goiano e transformou o Estado em referência nacional. O senhor prometeu e devolveu Goiás aos goianos. Me espelho na sua forma de governar, com coragem de decidir, responsabilidade com o dinheiro público e respeito com as pessoas”, conforme destacou.

O governador empossado ainda mostrou que continuará os projetos de Caiado no comando do Estado. “Na vida, é difícil encontrar um caminho seguro para a gente seguir. E nós encontramos um caminho seguro. Recebo essa missão com humildade, mas sabendo da responsabilidade que ela representa”, concluiu.

Paz e amor


Ronaldo Caiado também falou sobre a sua indicação para ser candidato à presidência da República pelo PSD, que ocorreu na segunda (30/3), em São Paulo. Em relação ao projeto nacional, Caiado pregou ‘paz e amor’ no debate político, em contraposição à polarização política.

“Precisamos retomar a paz, não se governa com embate”, disse. Ele retomou a crítica velada ao senador Flávio Bolsonaro, que já havia feito um dia antes, quando disse que o presidente precisa ter experiência administrativa. “Não se aprende a governar no cargo da presidência”, resumiu.

Daniel também exaltou o projeto nacional de Caiado. “Eu desejo muito que os outros brasileiros tenham a mesma sorte que nós goianos tivemos em ter o senhor como governante. O Brasil precisa de homens públicos com a sua coragem, independência e integridade. Sem essas qualidades, não há como mudar o País. O que o Brasil quer ser, Goiás já é”, decretou.