O primeiro consenso internacional sobre a redução e a interrupção de medicamentos para o tratamento da obesidade trouxe orientações inéditas para médicos e pacientes que utilizam fármacos como a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro).
Publicado na revista científica Obesity Pillars, o documento reforça que a obesidade é uma doença crônica. Assim, a suspensão do tratamento não deve ocorrer automaticamente após o paciente atingir a meta de peso.
Segundo o consenso, não existe um momento único para interromper a medicação. A decisão deve levar em consideração fatores como a estabilidade clínica do paciente, os resultados alcançados, a presença de efeitos adversos, outras condições de saúde e o risco de recuperação do peso perdido.
Os especialistas afirmam que a redução gradual da dose pode ser uma alternativa quando o paciente alcançar os objetivos terapêuticos e apresentar estabilidade clínica. Nesses casos, o processo deve ocorrer de forma planejada e acompanhado por profissionais de saúde.
Interrupção
Já a interrupção do tratamento é recomendada apenas em situações específicas. Entre elas, efeitos colaterais importantes, contraindicações, gravidez, ausência de resposta clínica ou quando houver uma decisão compartilhada entre médico e paciente.
O documento também destaca que mudanças no estilo de vida continuam sendo parte essencial do tratamento, independentemente do uso dos medicamentos. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e acompanhamento multiprofissional permanecem como pilares para o controle da obesidade.
Outra recomendação é que pacientes que reduzirem ou interromperem a medicação tenham acompanhamento regular para monitorar o peso, a composição corporal, as doenças associadas e possíveis sinais de reganho de peso. O objetivo é permitir intervenções precoces caso o quadro volte a evoluir.
As orientações estão alinhadas com diretrizes recentes que reconhecem a obesidade como uma doença crônica. Elas reforçam que muitos pacientes podem voltar a ganhar peso após a suspensão dos medicamentos. Por isso, o consenso defende que a decisão sobre manter, reduzir ou interromper o tratamento seja individualizada, baseada em evidências científicas e construída em conjunto entre médico e paciente.


