Rafhael Borges
O Brasil convive há décadas com períodos de seca, chuvas intensas e altas temperaturas. A diferença é que esses fenômenos estão se tornando mais frequentes, mais intensos e com impactos cada vez maiores sobre a população.
Ondas de calor prolongadas, enchentes que deixam milhares de desabrigados, queimadas que deterioram a qualidade do ar e estiagens que comprometem o abastecimento de água passaram a fazer parte da rotina de diferentes regiões do país.
Esse cenário tem levado governos, cientistas e órgãos de saúde a mudar o foco: além de responder às emergências, é preciso preparar cidades e serviços públicos para enfrentar uma realidade climática cada vez mais desafiadora.
A preocupação chegou ao sistema de saúde
Os impactos das mudanças climáticas deixaram de ser um tema exclusivo da área ambiental. Hoje, eles também preocupam o Sistema Único de Saúde (SUS).
Neste mês, o Ministério da Saúde reuniu gestores, pesquisadores e representantes de instituições como a Defesa Civil, Fiocruz, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para discutir estratégias de preparação diante dos eventos extremos previstos para os próximos anos.
De acordo com o ministério, ondas de calor, enchentes, secas e incêndios florestais podem provocar aumento de doenças relacionadas ao calor, problemas respiratórios, contaminação da água, insegurança alimentar e maior pressão sobre hospitais e unidades de saúde.
Muito além da previsão do tempo
Quando se fala em eventos extremos, muita gente pensa apenas em transtornos causados pela chuva ou pelo calor. No entanto, os efeitos são muito mais amplos.
Uma onda de calor, por exemplo, pode aumentar casos de desidratação, insolação e agravar doenças cardíacas e respiratórias. Já enchentes favorecem a disseminação de enfermidades como leptospirose e diarreias, enquanto a fumaça das queimadas piora quadros de asma e outras doenças pulmonares.
De acordo com o Ministério da Saúde, crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e a população em situação de vulnerabilidade estão entre os grupos que exigem maior atenção durante esses episódios.
O calor extremo exige cuidados
Nos últimos anos, as ondas de calor ganharam destaque por atingirem várias regiões brasileiras com temperaturas muito acima da média histórica.
O Ministério da Saúde orienta que, durante esses períodos, a população mantenha hidratação constante, evite exposição ao sol nos horários mais quentes, utilize roupas leves e procure ambientes ventilados. Pessoas que apresentem tontura, fraqueza intensa, náuseas, dor de cabeça ou confusão mental devem buscar atendimento médico, pois esses podem ser sinais de estresse térmico ou golpe de calor.
Preparação é a palavra-chave
Além do atendimento às vítimas, o governo federal trabalha na adaptação dos serviços públicos.
Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da vigilância em saúde, ampliação de sistemas de alerta, elaboração de planos de contingência e adequação da infraestrutura das unidades de saúde para garantir atendimento mesmo durante desastres naturais. Essas ações fazem parte do plano AdaptaSUS, desenvolvido pelo Ministério da Saúde para incorporar os riscos climáticos ao planejamento da rede pública.
A proposta também incentiva estados e municípios a utilizarem informações meteorológicas e epidemiológicas para antecipar riscos, assim como proteger as populações mais vulneráveis.
O desafio é coletivo
Embora políticas públicas sejam fundamentais, especialistas destacam que a adaptação também depende da participação da sociedade.
Acompanhar alertas meteorológicos, evitar áreas de risco durante temporais, economizar água em períodos de estiagem, manter a vacinação em dia e adotar cuidados extras durante ondas de calor são atitudes que ajudam a reduzir os impactos desses eventos.
Ao mesmo tempo, o avanço das mudanças climáticas reforça a necessidade de planejamento urbano, preservação ambiental e investimentos em infraestrutura mais resiliente.
Uma realidade que exige adaptação
Os eventos climáticos extremos já não são encarados apenas como episódios isolados. Para autoridades de saúde e pesquisadores, eles representam um dos principais desafios das próximas décadas.
Mais do que reagir a enchentes, secas ou ondas de calor, o Brasil busca fortalecer sua capacidade de prevenção e resposta. O objetivo é reduzir perdas humanas, proteger os serviços essenciais e preparar cidades para um cenário em que os extremos climáticos tendem a fazer parte da rotina.



