Exames de rotina são fundamentais para a saúde dos idosos

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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de 60 anos ou mais no Brasil cresceu 58,7% ao longo de 13 anos. O número de idosos aumentou de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025, um crescimento de 13 milhões no período.

Por isso, neste Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, é fundamental estarmos atentos à saúde desse grupo, que em sua maioria composto por pessoas com mais de 60 anos. O geriatra Matheus Sihnel, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, ressalta a importância do check-up anual para os idosos. “Os exames de rotina e rastreio são imprescindíveis para identificar e tratar uma série de condições que, muitas vezes, apresentam poucos sintomas em suas fases iniciais”, afirma.

A importância do check-up e individualização da prevenção

De acordo com o médico, os exames de rotina e rastreio normalmente começam a partir da quinta ou sexta década de vida. Contudo, é necessário individualizar o início dessa prevenção, levando em consideração fatores como histórico familiar. Assim como estilo de vida, sintomas relatados e exposição a fatores de risco.

“Com tais dados em mãos, é possível que tenhamos que iniciar a avaliação de check-up com antecedência. Por exemplo: em indivíduos obesos e tabagistas desde a juventude, o rastreio cardiovascular pode ser necessário antes do previsto na população geral. Da mesma forma, em casos com histórico familiar relevante para um tipo específico de câncer, os exames de detecção são mandatórios”, assim explica.

Principais doenças detectadas nos exames

Entre as principais doenças identificadas nos exames de rotina, o especialista cita hipertensão, diabetes, dislipidemia. Além disso vários tipos de câncer, como os de mama e próstata, doença aterosclerótica coronariana e diversas comorbidades que impactam significativamente a qualidade de vida na terceira idade.

“Com o tratamento precoce, podemos não apenas prescrever medicações, mas também evitar um dos maiores receios dos idosos. O declínio funcional e a perda de autonomia que muitas doenças podem causar quando não são manejadas a tempo”, pontua.

A importância do envolvimento familiar

Matheus Sihnel enfatiza o papel da família nos cuidados com os idosos. Pois, além de relatar sintomas que muitas vezes não percebidos pelo paciente, ajudam a quebrar a relutância em procurar atendimento médico. “Naturalmente, salvo quando existem sintomas evidentes, a maioria das pessoas evita as consultas, e a família frequentemente é quem toma a iniciativa de solicitar a avaliação médica”, afirma.

“Idosos que vivem isolados socialmente tendem a se tornar mais vulneráveis nesse aspecto, muitas vezes buscando atendimento apenas quando a condição de saúde já se agravou”, completa o médico. Ele também menciona outros obstáculos que os idosos enfrentam para realizar exames de rotina no tempo adequado, como dificuldades de interação com a tecnologia, já que o acesso a profissionais de saúde, na maioria dos casos, é feito digitalmente. Além do receio em arcar com os custos de consultas e exames e o medo de descobrir condições de saúde graves.

A assistência familiar é, assim, um fator decisivo para romper esses impasses. “Embora o surgimento de doenças, tanto agudas quanto crônicas, no idoso seja muitas vezes inevitável, a realização de exames de rotina desempenha um papel crucial na detecção precoce de muitas dessas condições. Com a identificação em tempo adequado, tende a haver um prognóstico muito mais favorável”, destaca o geriatra.