A Casa da Indústria recebeu na quarta-feira (17/6) um circuito de palestras promovido pelo Comitê da Indústria de Defesa e Segurança de Goiás (Comdefesa-GO) da Fieg, em parceria com a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg). O encontro abordou temas como geopolítica, mercado financeiro e reforma tributária através de discussões com especialistas.
O presidente do Comdefesa, Anastacios Dagios, salientou a importância da união entre Fieg e Adesg, que proporciona uma oportunidade para membros do setor se reunirem e debaterem tanto o futuro quanto o atual panorama global e nacional, além de seus impactos na cadeia de defesa e segurança em Goiás. “É na discussão que nasce a luz e estamos aqui para discutirmos cenários e soluções para o Brasil e fazer as coisas acontecerem,” afirmou.
Geopolítica e multipolaridade em discussão na Fieg
O primeiro momento da tarde na Fieg recebeu a palestra temática de geopolítica com o coronel aposentado do Exército Brasileiro e PhD em Ciências Militares, Rui Martins da Mota. A apresentação contextualizou os acontecimentos mundiais atuais e suas consequências para o setor produtivo goiano.
Na palestra, Mota apresentou um panorama da transição para um cenário mundial mais competitivo. Abordou conflitos em curso, como a guerra entre Rússia e Ucrânia. Também falou sobre os confrontos no Oriente Médio, tensões no Estreito de Ormuz e conflitos do narcotráfico na América do Sul,. O objetivo foi mostrar como esses fatores afetam cadeias produtivas, preços de energia e segurança alimentar. Ele destacou o papel estratégico do Brasil neste contexto, mencionando suas reservas de minerais críticos. Por exemplo, nióbio, lítio e terras raras, que são ativos importantes para atrair investimentos e forjar parcerias internacionais.
O coronel da reserva comentou ainda que o aumento das crises e conflitos internacionais tem impactos diretos nas cadeias produtivas de Goiás. Isso ocorre especialmente no que diz respeito ao preço e à oferta de fertilizantes e ao setor energético. “A tendência é de que o Brasil sofra mais pressão, como é o caso do El Niño. Assim, pode encontrar oportunidades nos setores de segurança alimentar, agronegócio, alternativas energéticas e no desenvolvimento tecnológico da indústria de defesa, que apresenta grande potencial,” concluiu.
Mercado Financeiro
Desmistificando o conceito de Selic, a taxa básica de juros, e apresentando seu funcionamento e impacto sobre a inflação, o professor convidado da University of South Denmark e CEO da Ciano, Lucas Sigu, abordou o mercado financeiro. O debate explorou a atuação das commodities na economia brasileira. Também foi tema a representatividade da questão fiscal e as perspectivas para o futuro, tanto a curto quanto a longo prazo.
Sigu analisou seis forças que devem moldar a economia brasileira nos próximos meses. Por exemplo, commodities, Selic, cenário fiscal, tecnologia e inteligência artificial, eleições de 2026 e o fenômeno climático El Niño. Ele enfatizou como cada uma dessas forças pode criar oportunidades ou desafios para as empresas. Sigu mencionou ainda tendências de mercado para empresários goianos. Alguns exemplos são a atratividade da renda fixa em um ambiente de juros reais elevados, o avanço do nearshoring e a adoção de inteligência artificial.
Apesar de um cenário otimista, o especialista financeiro alertou que o momento atual é de inflexão e que a queda da Selic não garante necessariamente uma recuperação completa. “O empresário tem que pensar em crescer, se desenvolver e contratar, mas sabendo que o cenário ainda precisa melhorar,” destacou.
Novo modelo tributário
Doutor H.C. em Ciências Contábeis pela WCA Florida, Fernando Witicovski, discorreu sobre os impactos da Reforma Tributária no setor produtivo goiano, com base em cálculos sobre a carga tributária.
Witicovski apresentou as razões que justificam a reforma, abordando a complexidade do atual sistema, que possui mais de 460 mil normas tributárias desde 1988, a guerra fiscal entre estados e os custos da insegurança jurídica para as empresas. O especialista detalhou as novas alíquotas de CBS e IBS comparadas aos tributos atuais, regimes diferenciados para setores específicos como saúde e educação, e a importância da nota fiscal eletrônica na apuração automática dos novos tributos, recomendando que as empresas comecem a adequar seus sistemas e processos.
Ele enfatizou que o momento de qualificação e preparação para as empresas é agora, já que a reforma começará a valer em 1º de janeiro. No entanto, algumas mudanças já estão em vigor. “A partir de 1º de julho, teremos impacto com relação às mudanças de cadastros como o CNPJ. Em setembro, as empresas do Simples Nacional deverão se adequar para o próximo ano e decidir como apurar impostos pelo modelo tradicional ou pelo modelo híbrido, aproveitando débito e crédito,” concluiu.


