O Conselho Temático da Agroindústria (CTA-Fieg) promoveu terça-feira (20/10) um encontro entre conselheiros, empresários e profissionais do setor com foco na Milhão Ingredients, empresa goiana de 25 anos que atua como “a indústria das indústrias”, processando e fornecendo milho não transgênico (non-GMO) para mercados nacionais e internacionais. A apresentação foi conduzida pelo diretor financeiro da empresa, Kelson Costa, também integrante do CTA.
“Goiás depende da agroindústria e nosso papel é impulsionar o setor, deixando o produtor e a indústria sempre próximos, para o agro se industrializar e agregar cada vez mais valor. A Milhão é o grande exemplo desse contato de diálogo transversal, que busca o melhor tanto quem produz quanto a indústria”, destacou o presidente do CTA, Marduk Duarte.
Em setembro deste ano, a Fieg teve oportunidade de conhecer a sede da empresa em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia, onde uma delegação do CTA e do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg percorreu todo o chão de fábrica da indústria.
ENTRE O CAMPO E A MESA
Criada em 2002 pelos irmãos goianos Luciano e Leandro Carneiro, a Milhão Ingredients trabalha com milho flint (duro), conta com planta industrial também em Rio Verde, no Sudoeste do Estado, somando capacidade de armazenagem estática de 2,6 milhões de sacas, produção mensal de 60 mil toneladas por mês, o que possibilita alcançar média anual de 690 mil toneladas. Parceira da Amaggi, a empresa é a única na América Latina a fabricar óleo bruto de milho non-GMO, com 14,4 mil toneladas de produção ao ano.
“A Milhão não planta, mas fomenta o produtor, 100% da nossa região. A fazenda é valorizada e tem rastreabilidade, sem riscos de contaminação privada. São em torno de 180 produtores e além de fomentar o insumo, a empresa realiza o acompanhamento técnico, para garantir a preservação da qualidade do milho. Eles apenas plantam e colhem, a armazenagem é nossa. São produtores que entendem para onde vai o milho que eles produzem”, ressaltou o diretor financeiro.
De acordo com Kelson Costa, alguns dos setores que a indústria atende inclui alimentos e bebidas, nutrição animal, mineração e farmacêutica, com mais de 70 mercados no mundo inteiro. Ele apresentou as marcas Só o Ouro e Vovó Biluca: “São duas marcas próprias para termos também uma presença no B2C e conhecermos mais sobre nossos clientes”, salientou. Adicionalmente, um dos serviços da indústria inclui o co-packer e private label, em que o produto sai da fábrica pronto para o mercado, com a logo da empresa do cliente.
A empresa conta ainda com um centro de pesquisas para desenvolvimento de soluções com foco em agricultura regenerativa, produtividade e controle biológico. Uma das inovações que estão previstas para chegar ao mercado é a entrega de uma planta inédita no País de farinha nixtamalizada, em Rio Verde, na segunda metade de 2027, com foco na produção de tortilhas.
SILVICULTURA
O encontro do CTA também discutiu sobre a etapa atual do Plano Diretor Florestal de Goiás, desenvolvido por meio de uma parceria entre o Estado e entidades empresariais, com consultoria da ESG Tech. O plano já havia sido apresentado por Marduk Duarte na Fieg durante a reunião da diretoria realizada em agosto deste ano.
Gerente de Desenvolvimento Regional e Inovação Agropecuária da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Pedro Vilela ressaltou que o atual desafio é conseguir os 70 mil hectares de área plantada previstos no plano, para atender às indústrias. “Já avançamos muito, mas há melhorias ainda a serem feitas para dinamizar o ecossistema de investimentos e plantios no Estado, para melhorar a logística”, destacou. O prefeito de Itajá, Lucas Machado, reforçou a necessidade de agilizar os trâmites burocráticos do Estado e criar medidas fiscais para facilitar o fomento ao plano e ao plantio de eucalipto.
O presidente do CTA explicou que a entidade está sempre aberta a escutar demandas e propor medidas e atividades para buscar soluções, investimentos e parcerias. “A Fieg está sempre à disposição para receber empresas, promover diálogos. Temos que industrializar o agro em Goiás e nosso papel é acelerar o desenvolvimento”, salientou.
O encontro foi acompanhado pelos presidentes Antônio Santos (Siaeg) e Sérgio Scodro (Sindtrigo).



