Eduardo Sartorato
A 23ª edição da Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (11/6), às 16h (horário de Brasília), quando as seleções de México e África do Sul entram em campo, na Cidade do México, para a primeira partida da competição. A parte esportiva, porém, ficou um pouco de lado nos últimos dias diante das ações excludentes do governo dos Estados Unidos contra nacionais e federações de países da África e da Ásia, principalmente.
O maior exemplo foi o impedimento da entrada do árbitro Omar Artan, que seria o primeiro juiz da Somália a apitar um jogo de Copa na história. O governo americano proibiu a sua entrada no país, alegando que ele teria relações com “pessoas relacionadas ao terrorismo”. Esse é o mesmo argumento que o governo de Donald Trump tem utilizado ao redor do mundo para intervir economicamente e militarmente em outros países – são alguns exemplos, Venezuela, Cuba e Irã.
Em outro episódio de exclusão, os Estados Unidos ignoraram o regulamento da Fifa e revogaram a cota de ingresso a que o Irã tem direito. Cada federação nacional participante possui 8% dos ingressos das partidas de suas seleções para comercializá-los da maneira que preferirem. A Federação de Futebol do Irã (FFIRI) informou que o cancelamento das entradas ocorreu de última hora, e que muitos torcedores já haviam comprado passagens aéreas para acompanhar a seleção em solo americano.
Algumas delegações de seleções africanas e asiáticas se queixaram de longas inspeções e interrogatórios na entrada em território americano. O atacante do Iraque Aymen Hussein foi interrogado por sete horas por autoridades americanas. O fotógrafo da delegação foi barrado e enviado de volta, após dez horas de inspeção. As seleções de Senegal e Uzbequistão passaram por inspeções e detectores de metais ainda na saída do avião.
“A Copa da Exclusão”
Tudo isso já está dando à Copa 2026 o apelido de “A Copa da Exclusão”, por alguns jornalistas e torcedores. Apesar de a competição ocorrer em três países – Canadá, Estados Unidos e México – a maior parte do torneio ocorrerá em estádios americanos. A Fifa, até o momento, tem lavado as mãos em relação ao comportamento do governo americano.
No caso do árbitro somali, por exemplo, a entidade máxima do futebol disse apenas que não tem como influenciar as políticas imigratórias dos países. Não tentou uma negociação, ou ofereceu jogos no Canadá ou no México para o árbitro – cortou o profissional da Copa, que já voltou ao seu país.
Além disso, a Fifa também aumentou em até mais de 20 vezes o preço dos ingressos em relação às últimas copas. A adoção do preço dinâmico tem criado uma barreira para muitos torcedores conseguirem acessar os jogos de suas seleções. Assim, os preços mais baratos chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 8 mil para jogos da primeira fase da competição.
Com o espírito esportivo de amizade e confraternização dos povos em xeque, a Copa começa com duas partidas nesta quinta-feira. Além de México X África do Sul, Coreia do Sul pega a República Checa em Guadalajara, às 23h (horário de Brasília).
Dia 1 – jogos
Quinta-feira (11/6)
(Grupo A) México X África do Sul – 16h – Cidade do México
(Grupo A) Coreia do Sul X República Checa – 23h – Guadalajara


