Conectar empresas brasileiras aos Estados Unidos é a missão do evento SelectUSA EveryDay, realizado na terça-feira (14/7), na Casa da Indústria. Promovido pela Embaixada e pelo Consulado dos Estados Unidos no Brasil, em parceria com a Drummond Advisors e o Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o encontro marca a segunda edição do roadshow em Goiás.
“Goiás vive uma fase de dinamismo econômico, mas ainda há muito espaço para crescer. O mercado norte-americano continua sendo uma das maiores vitrines do mundo. Quando uma empresa conquista novos mercados, ela contribui para o crescimento do Estado”, destacou o analista de Comércio Exterior da Fieg, Flávio Falcão.
Oportunidades de Negócios
André Leal, head of Investment da embaixada, apresentou a segunda edição do evento como um ambiente para pensar nos Estados Unidos (EUA) não apenas como destino de internacionalização, mas como parceiro comercial e plataforma global de negócios. “Pensamos em como criar um programa que ajudasse o empresariado a entender quais são as dinâmicas atuais de negócios nos Estados Unidos e como as empresas poderiam desenvolver uma estratégia para que o seu negócio pudesse ter a sua entrada mais assertiva e obter sucesso nesse processo”, destacou.
Estratégia de Internacionalização
Expandir seu negócio não começa na hora que a empresa coloca seu produto para fora do Brasil: segundo Leal, o processo de internacionalização tem início no pensamento de expandir produto e capacidade comercial a novos mercados. Isso ocorre quando se define que o mercado-alvo não é apenas o de origem, mas onde se pretende chegar.
Segundo o especialista, a exportação indireta costuma ser o primeiro passo, por meio de uma terceirização, onde o processo conta com um parceiro que vai consolidar o produto no mercado externo. Este processo evolui para a exportação direta, quando a empresa desenvolve negócios de forma direta no mercado de destino, sem um intermediador. A partir da exportação direta, filial de vendas, licenças, alianças estratégicas e subsidiárias de produção foram apresentadas como as etapas mais comuns do processo de internacionalização.
O head de investimentos destacou que os EUA não são um mercado imediato. Uma estratégia de longo prazo permite ao empresário aproveitar todas as oportunidades oferecidas. Segundo dados da embaixada, o mercado norte-americano tem um PIB avaliado em US$ 30 trilhões, com cerca de 350 milhões de consumidores.
“Estar nos EUA não significa apenas fazer negócios e transacionar com clientes, mas colocar sua empresa em uma posição para entender tendências, oportunidades futuras e como se posicionar com parceiros que estão lá para expandir seus negócios para além do país. Pense nos EUA como uma plataforma para permanecer de maneira permanente nas próximas décadas”, enfatizou Leal, citando setores como energia limpa, fabricação de baterias, veículos elétricos, inteligência artificial, centros de dados, manufatura avançada, ciências da vida e aeroespacial.
Aspectos Jurídicos e Burocráticos
O segundo momento do encontro apresentou a Drummond Advisors, que falou sobre o processo burocrático de entrada no mercado estadunidense. A diretora de operações do Departamento Jurídico, Ana Gabriela Francelli, e o coordenador de Contabilidade EUA, Rodrigo Torres, explicaram que o primeiro passo é definir o tipo de entidade nos EUA. Isso inclui se será uma representação, filial, subsidiária ou afiliada, cada uma com suas regras próprias de tributação.
A escolha da estrutura societária vem em seguida, sendo a LLC (Limited Liability Company) e a C-Corporation as mais utilizadas por empresas estrangeiras. Na LLC, a tributação ocorre no nível dos sócios; na C-Corp, o lucro é tributado a 21% pela própria empresa, e os dividendos são tributados novamente na distribuição aos sócios.
“O planejamento é a palavra-chave para tudo: se você aplica a uma modalidade com uma estrutura mal feita, o risco pode ser alto. Então, o planejamento é fundamental”, ressaltou Ana Gabriela.
Sobre o sistema tributário americano, Ana Gabriela e Torres abordaram o IRS, equivalente à Receita Federal, responsável pela cobrança de impostos, incluindo o de renda federal. As alíquotas de renda vão de 10% a 37% para pessoas físicas e são fixas em 21% para pessoas jurídicas.
Além disso, foi discutida a residência fiscal americana, que não depende do status migratório: é considerado residente fiscal quem soma 183 dias ou mais nos EUA em um período de três anos, pelo chamado Substantial Presence Test. Entre os vistos mais buscados por brasileiros, destacam-se H1B, O1, EB1, EB2, E2 e L1.
Erros Comuns na Internacionalização
Na apresentação, foram listados erros comuns na internacionalização, como começar sem um plano de negócios, ignorar diferenças culturais ou escolher a estrutura societária errada. Também foram compartilhadas boas práticas recomendadas, como realização de estudo de mercado prévio, planejamento tributário e migratório, e registro da marca no novo mercado.




