A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) manifestou seu posicionamento contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2015, que pretende reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho e segue em tramitação no Congresso Nacional.
Em nota, a entidade alerta que a PEC propõe alterar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) com base na alegação de um aumento da participação de adolescentes em crimes com morte. “No entanto, conforme indicam os dados, crianças e adolescentes (com menos de 18 anos) são responsáveis por cerca de 0,5% a 2% dos homicídios ou dos crimes hediondos, a depender da metodologia utilizada, enquanto os adultos respondem por cerca de 98% a 99,5%”, detalha a nota.
Ainda conforme a SBP, não há evidência científica consistente que indique que a redução da idade penal diminui a criminalidade juvenil. “Nenhum país que tenha adotado essa experiência apresenta dados validados sobre a diminuição das taxas de crimes, isto é, que a redução da idade penal tenha reduzido os crimes em termos percentuais”, destaca o texto.
Dados sobre a criminalidade juvenil
A nota também menciona que a literatura científica atual não permite afirmar que países que reduziram a maioridade penal registraram queda mensurável em crimes cometidos por adolescentes. “Em alguns casos, o efeito foi nulo e, em outros, houve até aumento da reincidência”.
Por outro lado, os pediatras ressaltam que os adolescentes estão entre as maiores vítimas de violência e de crimes com mortes no país. Dados apresentados indicam que, entre 2016 e 2020, 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta no Brasil, o que representa uma média de sete mil óbitos por ano.
“Na avaliação da SBP, é preciso fazer cumprir os artigos 227 da Constituição Federal e 4º do ECA, que determinam como dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, a efetivação dos seus direitos, a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”
Próximas etapas
Após a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça, a proposta que reduz a maioridade penal não segue diretamente para votação definitiva. O texto ainda precisa ser analisado por uma comissão especial temporária, que debaterá o mérito da questão.
Caso aprovado nesta comissão, ele vai para votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, onde exige o apoio mínimo de três quintos (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria seguirá para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.






