Eduardo Sartorato
Apenas 17% dos eleitores que disseram que se absteram ou votaram branco/nulo no primeiro turno das eleições presidenciais apontam que, novamente, vão anular o voto, ou não participar do pleito. Esse é um dos dados mais interessantes da primeira pesquisa Quaest do segundo turno para a presidência da República. Neste recorte, o presidente Lula (PT) leva vantagem e consegue angariar mais apoio do que o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo os números da pesquisa, 43% dos eleitores que não escolheram um candidato na primeira etapa dizem que votarão na reeleição do presidente. Enquanto isso, 38% declararam que vão escolher o senador do PL no próximo dia 25. Do total, 2% se disseram indecisos.
A preferência de uma parcela maior dos eleitores que não participaram da primeira etapa da eleição por Lula explica o avanço do petista no cenário estimulado da Quaest. Segundo o instituto, a corrida pelo Palácio do Planalto está empatada tecnicamente, com Flávio aparecendo numericamente à frente de Lula – 46% a 44%. O empate técnico ocorre devido à margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
Como era esperado, a maior parte do eleitorado que votou em outro candidato, que não Lula ou Flávio no primeiro turno, migrou para o senador do PL. Lula, porém, conseguiu convencer parte deste público a apoiá-lo na segunda etapa. Dos eleitores do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo, 42% dizem que vão votar em Flávio e 23% em Lula. Dentre aqueles que votaram em Renan Santos (Missão), Flávio tem sua maior vantagem – 40% contra 14% de Lula. Já o petista vence Flávio na preferência do eleitorado do escritor Augusto Cury (Avante). Neste campo, Lula herda 34%, enquanto que Flávio aparece com 30%.
Ao contrário do que se esperava, Lula cresce e diminui vantagem
Os números da Quaest mostram que Lula, no segundo turno, tem conquistado mais campo dentre o eleitorado do que Flávio. Isso encurta, assim, a vantagem conquistada no primeiro turno pelo adversário. Isso vai de encontro ao que se esperava, que era o senador do PL abrindo uma vantagem em torno de seis ou oito pontos. Ou, pelo menos, mantendo uma margem mais segura (em torno de quatro pontos) de Lula, após seu crescimento no fim do primeiro turno.
Ao que parece, Flávio cresceu, atingiu o teto, e agora perde espaço, em meio a manifestações populares pró-Lula e pautas caras para o trabalhador apoiadas pelo presidente, como o fim da jornada de trabalho 6×1. Tudo isso mostra que o jogo está completamente aberto e que os debates (devem ser dois, na Band e na Globo), além da movimentação da última semana, decidirão a eleição.


