Saneago apresenta resultados e projetos futuros em Goiás durante workshop na Fieg

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A Casa da Indústria promoveu, na terça-feira (24/6), o Workshop Performance e Expansão: o Mapa do Saneamento em Goiás. Realizado pelo Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg, o encontro contou com a presença da diretoria da Saneago, que apresentou a conselheiros e profissionais do setor o panorama atual da infraestrutura de saneamento no Estado.

O presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, destacou a importância da parceria entre a indústria e a concessionária. “Nós estamos recebendo a Saneago, uma parceira que sempre se dispõe a vir e nos mostrar suas fases e desempenho. Mostrando que a cada dia que passa os índices estão melhorando, e reconhecemos a competência de todos os da alta administração da empresa”, conforme ressaltou.

O presidente da companhia, Ricardo Soavinski, abriu a apresentação com um panorama institucional e de desempenho recente da empresa. “O Estado é reconhecido. Goiânia, mais ainda, uma das grandes capitais do País e a que tem o índice mais baixo de desperdício de água, com 13% e tendência de queda. É um trabalho muito forte. Isso é eficiência, isso é segurança hídrica, principalmente na época de estiagem”, destacou.

Desempenho e desafios

Soavinski salientou que a Saneago hoje é responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em 223 dos 246 municípios goianos. O que representa uma cobertura de 91% do Estado, atendendo a mais de 6 milhões de habitantes. Entre os avanços recentes, ele destacou a queda contínua no índice de perdas de água, que recuou de 21,8% em 2025 para 21,6% no primeiro trimestre de 2026, uma trajetória de redução que se estende desde 2018, quando o indicador era de 29,5%.

O presidente também elencou como desafios centrais da companhia a universalização do esgotamento sanitário, a segurança hídrica, o licenciamento ambiental. Assim como a regularização fundiária, a contratação de mão de obra, as diretrizes ESG e a estruturação de parcerias público-privadas.

Operação e eficiência

O diretor de produção, Paulo Rogério Bragatto Battiston, detalhou o desempenho da Diretoria de Produção (Dipro). No primeiro trimestre de 2026, o índice de perdas acumulado (21,66%) está abaixo da média do ano anterior, que foi de 21,85%. Goiânia se destacou nacionalmente por operar com apenas 13% de perdas, como ressaltou Soavinski na abertura.

Para sustentar esses resultados, a Dipro apresentou a manutenção de contratos para a implantação de floco-decantadores e filtros em 32 municípios, a perfuração de 179 novos poços tubulares profundos, a execução de mais de 100 mil serviços de ligação e troca de ramais, além da instalação de reservatórios metálicos em 42 municípios. O valor total contratado pela diretoria soma R$ 1,4 bilhão, com outros R$ 177 milhões em fase final de contratação.

“A companhia avançou muito e defende melhoria contínua. Isso [os resultados] mostra também investimento em eficiência na operação da empresa para buscar cada vez mais qualidade naquilo que é a matéria-prima nossa para distribuição para a população, que é a qualidade da água”, conforme disse o diretor.

Battiston apresentou ainda o Giswater, uma plataforma de tecnologia voltada ao cadastramento e mapeamento completo das redes de água. A Saneago é o maior cliente mundial do sistema e já concluiu a conversão de 100% de seus cadastros na ferramenta.

Expansão e investimentos

O diretor de Expansão, Fernando Cozzetti, apresentou o cenário dos investimentos em curso. A companhia soma R$ 1,22 bilhão em investimentos já contratados, distribuídos em 73 contratos entre obras, projetos e equipamentos. Além disso, outros R$ 544 milhões estão prontos para contratação.

A Diretoria de Expansão também conduz 193 ordens de serviço e 136 projetos simultâneos em 96 municípios, abrangendo diversas disciplinas, como hidráulica, elétrica, estrutura, automação e geotecnia.

Entre os principais desafios, Cozzetti reiterou as questões do licenciamento ambiental e da regularização fundiária. Além disso, a elevada demanda no curto e médio prazo e a escassez de prestadores de serviço para os projetos e obras.

O diretor citou a necessidade de adaptar projetos devido à falta de mão de obra, como no caso da estação de tratamento de água em Jataí. “Essa obra tinha sido licitada em concreto, mas não teve muito interesse por conta da dificuldade de mão de obra na região, que não se encontra”, esclareceu, indicando a mudança para o uso de material modular, como aço inox.

Solidificação financeira

Cozzetti percorreu o portfólio de obras em andamento e programadas nas principais regiões do Estado, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade, Anápolis e Rio Verde. Os projetos incluem a expansão das redes de captação, tratamento e distribuição de água, além da ampliação e implantação de sistemas de esgoto. Ele destacou as barragens previstas de Caldas e Capivara, em Goiânia. Assim como Piancó, em Anápolis, com anteprojetos já contratados e investimento estimado em R$ 1,75 bilhão.

O diretor financeiro, Diego Ribeiro, apresentou os indicadores econômico-financeiros da companhia. A Saneago acumulou lucro líquido de R$ 3,4 bilhões e investimentos totais de R$ 5,1 bilhões entre 2019 e o primeiro trimestre de 2026.

Atualmente, a empresa ocupa a 5ª posição no Anuário Valor 1000 de 2025 no que diz respeito ao desempenho contábil, financeiro e práticas ESG. E assim possui um rating AAA.br pela Moody’s, o mais alto nível corporativo da agência, além de AA(bra) pela Fitch, ambos com perspectiva estável.

Ribeiro enfatizou a importância do gerenciamento e desempenho financeiro da concessionária. “Esse caixa robusto atrai empresas e parceiros para que possamos realizar os investimentos necessários para garantir o crescimento sustentável e equilibrado do saneamento no Estado”, afirmou.

A alavancagem da companhia, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, está em 0,45, valor inferior ao parâmetro máximo de 3,0, que confere à Saneago capacidade de captar recursos a custos competitivos para financiar sua expansão.

Parceria pública-privada

Por fim, o superintendente de planejamento integrado, João Pedro Tavares Damasceno, detalhou a parceria público-privada estruturada pelo governo do Estado em conjunto com a Saneago para o esgotamento sanitário. O modelo prevê a concessão do serviço para 217 municípios goianos, com uma população total de 2,8 milhões de habitantes e investimento estimado em R$ 7,3 bilhões.

Um primeiro certame, que mobilizou 12 interessados presencialmente e outros 13 virtualmente, foi cancelado antes do leilão previsto para março de 2026 na B3. Damasceno sinalizou a intenção de realizar o leilão ainda em 2026.

“O esgotamento sanitário é um desafio que as empresas de saneamento possuem atualmente no Brasil e a Saneago está tomando medidas para cumprir com esse marco, que até 2033 deve atender 90% do esgotamento sanitário para a população do Estado”, concluiu.

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