“Se a eleição for para o 2º turno, Daniel Vilela tem 99% de chance de vencer”, diz CEO da AtlasIntel

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Eduardo Sartorato

O CEO da AtlasIntel e cientista político Andrei Roman acredita que o governador Daniel Vilela está perto da reeleição. “Não está claro se haverá segundo turno, e se houver Daniel tem 99% de chances de vencer”, decreta o fundador de um dos institutos de pesquisas mais importantes do país. Romeno de Bucareste, Andrei inclui que, caso haja uma segunda etapa para definir o próximo governador do Estado, essa deverá ser entre Daniel e o senador Wilder Morais (PL).

“Pelo perfil do eleitorado de Marconi (Perillo, candidato ao governo), quem mais vai herdar seus votos no segundo turno será Daniel”, diz, ao explicar porque, na opinião dele, Daniel é tão favorito assim. Andrei Roman foi o quarto convidado do painel “Brasil em Movimento”, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), onde palestrou sobre as Eleições 2026 na manhã desta segunda-feira (21/9).

“Há uma desilusão grande no eleitorado brasileiro”, diz Andrei

Para presidente da República, Andrei Roman é mais cauteloso. No atual cenário eleitoral, o CEO da AtlasIntel diz que há uma desilusão muito grande entre os eleitores brasileiros devido ao perfil dos dois principais candidatos, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). “Hoje, temos um eleitor muito desiludido, tanto da esquerda, quanto da direita. Eu digo que o Brasil está em um momento político baixo astral. Poucos brasileiros esperam que, após as eleições, haverá uma mudança positiva significante”, frisa.

Andrei mostra que, segundo os números da AtlasIntel, há cerca de 17% do eleitorado que é considerado “independente” e que vai decidir as eleições polarizada entre lulistas e bolsonaristas. “E uma parte dos ‘independentes’ não são tão independentes assim, porque, quando perguntamos, parte deles rejeita um ou outro nome. Então o número de quem pode mudar de lado é ainda menor”, diz. O cientista político ainda frisa que a eleição tem a tendência de ser acirrada até o fim, e que isso ocorre por causa da cultura política do Brasil.

Segundo Andrei Roman, os dois principais candidatos têm passivos muito grandes, o que explica a alta rejeição de ambos. Lula, por exemplo, tem o desgaste natural de ser o atual governante, não ser uma novidade política-eleitoral, alto custo de vida atual, dentre outros. Já Flávio tem problemas por ser um “candidato indesejado” por uma grande parcela do eleitorado e de ter um legado negativo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (com a performance ruim na pandemia, dentre outras). Ambos sofrem com a rejeição de parte do eleitorado da polarização lulismo x bolsonarismo.

“Talvez se o candidato da direita fosse o Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo), a eleição não estivesse tão acirrada”

Andrei vê que a direita teria uma chance muito grande de vencer se o candidato fosse alguém fora da família Bolsonaro. “Lula deveria ter chance reduzida de vencer. Mas o candidato da direita escolhido foi o Flávio Bolsonaro. Talvez se fosse o Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo), a eleição não estivesse tão acirrada”, acredita.

O cientista político vê que a base de Lula tem sofrido erosão, se fragilizando um pouco no nordeste, com o problema da violência urbana na região e governadores de esquerda não tão bem avaliados com nas últimas eleições. “Ainda tem a questão de que PT sempre sofre com o tema corrupção. E a maioria do eleitorado continua vendo a corrupção como um dos problemas maiores do Brasil”, adiciona. Contudo, Flávio não pode explorar o tema por estar envolvido no caso do Banco Master e o filme Dark Horse, o que diminui as possibilidades de fogo contra a campanha petista. “O perfil do Flávio também é diferente da do pai dele. Eleitores não sentem tanta firmeza com a fala dele”, lembra.

Sete variáveis podem decidir as eleições, segundo Andrei

Assim, Andrei apresenta sete “variáveis-chave” para monitorar: se Lula vai conseguir melhorar sua imagem com atos de última hora do governo, se Flávio vai conseguir se recuperar do caso Dark Horse, se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai interferir na reta final das eleições, se os palanques estaduais vão se desmobilizar naqueles estados onde não houver segundo turno, o cenário econômico, as crises de imagens e a crise no Supremo Tribunal Federal. Qualquer um desses pontos, segundo Andrei Roman, pode decidir a eleição para um dos lados.

Em relação à terceira via, de acordo com Andrei Roman, nenhum dos nomes conseguiu atravessar a barreira para ser candidato viável. “Renan Santos é o que mais conseguiu chamar a atenção do público jovem e masculino, chegou a ter 30% nesse extrato. Mas não avançou nas outras faixas etárias. Augusto Cury se aproveitou de uma boa performance em uma sabatina e cresceu, mas não se firmou”, disse.

Esta é a quarta palestra do painel “Brasil em Movimento”, da Fieg

O painel “Brasil em Movimento” é realizado pela Fieg como uma forma de discutir os rumos do Brasil em diversas áreas, como política e economia. Este é o quarto evento realizado pela instituição, que já trouxe o diretor-presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, e CEO da Quaest Pesquisa, Felipe Nunes.

O presidente da Fieg, André Rocha, diz que o painel é uma forma de contribuir com a sociedade. “O objetivo deste encontro é trazer temas importantes para o empresário goiano. Trazermos aqui pontos importantes para reflexão, debates e valorizar a democracia”, frisou André Rocha.