Virada na aprovação tem governo acertando na mosca com Desenrola 2.0 e bolsonarismo ajudando Lula

Compartilhe

Eduardo Sartorato

A pesquisa Genial/Quaest mostrou, nesta quarta-feira (15/7), um dado que foi recebido com festa no Palácio do Planalto. Pela primeira vez, em um ano e meio, a aprovação do governo Lula está numericamente maior do que a desaprovação. Segundo os números coletados entre 10 e 13 de julho, a administração do petista é aprovada por 48% da população, enquanto que 47% desaprova os resultados do governo petista.

A diferença pode parece pouca e está dentro da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais, para mais, ou para menos. Mesmo assim, ele representa uma recuperação do governo, crescimento esse que há alguns meses era visto como muito ceticismo. Em agosto de 2026, por exemplo, cerca de um ano atrás, a vantagem pró-desaprovação do governo era de nove pontos porcentuais – 52% diziam ‘não’ ao governo Lula, enquanto que 43% o consideravam positivo. Em termos numéricos, o Planalto conseguiu melhorar esse índice em 10 pontos, durante esse período.

Flávio no centro de 3 crises diferentes em 2 meses

Essa alavancada do governo Lula tem dois pontos principais. O primeiro é a crise dentro do QG bolsonarista, que só aprofunda a cada dia. Ela começou em maio, quando o site Intercept Brasil publicou áudios do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) negociando com o banqueiro Daniel Vorcaro, peça central do escândalo do Banco Master. Na oportunidade, Flávio cobrava cerca de R$ 130 milhões que supostamente seriam utilizados na produção do filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No início deste mês, Flávio discursou em audiência do governo americano em relação a imposição de tarifas a produtos brasileiros nos Estados Unidos. Na oportunidade, pregou que as taxas fossem aplicadas apenas após as eleições gerais no Brasil, o que gerou reação do governo Lula, que o acusou de estar utilizando a economia nacional como barganha política.

Apesar de o governo federal também trabalhar para o adiamento das tarifas, o caso voltou a colocar em pauta o esforço da família Bolsonaro, no ano passado, para que os Estados Unidos taxassem produtos brasileiros e retaliassem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a fim dos Bolsonaro terem uma moeda de troca para negociar uma pena mais branda para Jair.

A maior das crises, porém, foi interna, dentro da própria família. No final de junho, Michele Bolsonaro, esposa de Jair, divulgou vídeos revelando ter sido “mal tratadada e humilhada” por Flávio. O desentendimento girou em torno de palanques políticos no Brasil, principalmente sobre o apoio do PL no Ceará. A briga teve uma repercussão muito forte dentro e fora da direita bolsonarista e ajudou a minar, ainda mais, os índices do pré-candidato nas pesquisas.

Desenrola 2.0 dá socorro a endividados, que já somam mais de 80% das famílias brasileiras

No mesmo período, o governo Lula também conseguiu ter pelo menos uma ação que acertou em cheio na apreciação de parte do eleitorado. O Desenrola 2.0, lançado em maio, teve alvo principal a renegociação de dívidas de famílias de baixa renda, com uso de parte do FGTS para abater dívidas. Além disso, prevê o socorro a universitários inadimplentes com o Fies, o fundo de financiamento estudantil. Isso é um refresco muito positivo, levando em consideração que mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas atualmente

A virada na aprovação de Lula, às vésperas das convenções, é um fato muito importante para o petista, e serve de alerta para quem é oposição e mira o Palácio do Planalto. Com o fim da Copa do Mundo e o início da campanha, o eleitor brasileiro começará a entrar no debate eleitoral e a definir seu candidato. A reversão de voto consolidado durante a campanha eleitoral é algo muito difícil.

A mesma pesquisa Quaest mostra que Lula tem crescido constantemente no cenário espontâneo, que mede o voto consolidado – hoje já soma 26%. Já Flávio também vinha num crescente até o mês passado, quando atingiu 17%. Já agora, em julho, em meio às últimas crises, o senador viu seu índice recuar para 14%, o que liga sinal amarelo para a sua pré-candidatura.