Eduardo Sartorato
A polarização e a calcificação das preferências políticas e eleitorais no Brasil estão destacando a importância do eleitor independente. Desta forma, será esta a parcela do eleitorado que vai decidir as eleições presidenciais de 2026. A análise é de Felipe Nunes, cientista político e CEO da Quaest Pesquisa, um dos principais institutos de medição estatística política do país. Ele foi palestrante do painel “Brasil em Reflexão” realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), nesta quarta-feira (24/6), na Casa da Indústria, em Goiânia.
Felipe fez uma análise do cenário político e eleitoral brasileiro por meio de dados estatísticos atuais e históricos. Hoje, segundo ele, 35% do eleitorado nacional se posiciona ao lado da esquerda e do presidente Lula (PT), enquanto que os outros 35% são eleitores de direta, sejam eles bolsonaristas ou não-bolsonaristas. Assim, cerca de 29% são independentes. Destes, apenas 10% estão ligados à política, procurando um candidato para votar. Os outros 19% estão descrentes com o processo eleitoral e deverão ficar à margem do processo.
Eleitor brasileiro está calcificado
Além disso, há outro dado que mostra uma peculiaridade do cenário eleitoral de 2026 – para Felipe Nunes, o eleitorado brasileiro está calcificado. Isso significa que, mais do que em qualquer outra eleição desde a redemocratização, a dificuldade para convencer os eleitores a mudar de candidato, ou de tendência política, é muito grande. Isso ajuda ainda mais à conclusão de que o jogo será decidido por aqueles mais maleáveis, que podem votar em qualquer um dos dois lados, desde que sejam convencidos.
“Desde 1998, o porcentual de mudança do eleitor diminui. 84% do eleitorado de Lula em 2002, por exemplo, havia votado no petista em 1998. Isso mostra que Lula conseguiu crescer no eleitorado que não votou nele, quatro anos antes. Já em 2022, esse porcentual é de 97%. Ou seja, os eleitores do PT em 2022 são praticamente os mesmos de 2018”, explicou Felipe.
Para o cientista político, o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) no caso do Banco Master fez o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro perder terreno, mas a disputa ainda está longe de se definir. “A direita não bolsonarista está começando a ficar insatisfeita com Flávio e parte dela está buscando um novo nome. Podemos ter uma surpresa, caso esse grupo resolva abandonar Flávio”, defendeu.
Neste cenário, os outros candidatos da direita que ainda não deslancharam poderão surfar na onda de enfraquecimento do senador, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). “O grande trunfo de Caiado é a alta aprovação de seu governo em Goiás. Ele, porém, ainda é bastante desconhecido no Brasil”, mostra. Felipe ainda acredita que tanto Caiado como Zema podem disputar o voto antissistema, daqueles que estão descrentes com os rumos da política e do jeito que as instituições estão sendo administradas e, por isso, procuram um candidato ‘outsider’, de fora do jogo político tradicional.
“Brasil em Reflexão” realizará outros eventos com o tema político
Este é o segundo evento do painel “Brasil em Reflexão” realizado pela Fieg. O presidente da instituição, André Rocha, disse que o objetivo da Federação é estimular as reflexões em um momento de decisão político eleitoral.
“Nosso objetivo é trazer temas relevantes para a gente discutir. Provocar o debate e as reflexões e, com isso, propor ações. Acredito que daqui até o fim do ano o tema que mais debatido será a política. Devemos focar nisso nos próximos meses”, revelou.




