Daniel tem desafio de comandar a base sem presença física de Caiado

O agora ex-governador ficará ausente de Goiás na campanha eleitoral; Daniel, porém, ganhou musculatura como comandante nos últimos meses de governo ao substituir Caiado durante sua articulação nacional

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Eduardo Sartorato

O agora empossado governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), assume a máquina estadual com vários desafios em um tempo cada vez mais escasso até o pleito eleitoral. O primeiro deles é manter a base aliada unida em prol de sua candidatura em meio a interesses individuais de suas lideranças. Um outro é, com a máquina na mão, reafirmar a confiança junto ao eleitor goiano ao assumir um governo com mais de 80% de aprovação. Por fim, e talvez o mais difícil – fazer tudo isso sem a presença física do governador Ronaldo Caiado (PSD).

Já o ex-governador do Estado recebeu das mãos do presidente de seu novo partido, Gilberto Kassab, a missão de representá-lo como candidato à presidência da República. Naturalmente, a partir de agora, Caiado pouco ficará em Goiás. Pois vai viajar os quatro cantos do Brasil em busca de consolidação de seu nome e melhoria nas pesquisas. Quando a campanha chegar, essa agenda ficará ainda mais corrida e sua ausência mais frequente. Vale lembrar que Goiás tem um eleitorado pequeno (cerca de 3% do Brasil) e que já conhece Caiado.

A falta física de Caiado aumenta ainda mais a responsabilidade e protagonismo de Daniel, que não estará sozinho, mas não contará com a figura principal de um governo muito bem avaliado ao seu lado no palanque. Muitos analisam que, se Caiado não tivesse conseguido a indicação dentro do PSD, a sua presença em Goiás facilitaria a transferência de popularidade entre ele e Daniel.

Herança política

Contudo, não é o fim do mundo para o novo governador e pode, inclusive, se tornar uma oportunidade para se consolidar mais rapidamente como chefe de Estado de fato. Tudo vai depender de como ele vai conduzir o processo daqui para frente. A concorrida fila de lideranças da base aliada disputando os espaços, principalmente a vaga de vice-governador e a corrida acirrada pelos Legislativos federal e estadual, também aparece à frente de Daniel como um obstáculo a ser superado. Além, é claro, do fato de que nunca é fácil herdar um governo com uma grande aprovação – a expectativa pode ser inimiga do novo comandante.

Por outro lado, neste caminho até o pleito de outubro, Daniel tem a seu favor vários aspectos. Além de possuir uma grande máquina azeitada, o novo governador conhece o governo como poucos, por sua atuação antes mesmo de tomar posse. Caiado já atua nacionalmente há meses para conseguir a indicação dentro do PSD, o que abriu espaço para Daniel atuar como um protagonista antes mesmo de assumir a cadeira de governador, o que é muito positivo.

Resta a ele intensificar o trabalho nos próximos meses, conseguir costurar os entraves internos que sempre aparecem dentro de uma ampla base política. E se apresentar ao eleitorado como herdeiro do legado de Caiado e a melhor opção para continuar no comando do Estado. O desafio está lançado.

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