O trabalhador brasileiro vive um momento de transição no mercado de trabalho. Recentemente, a Norma Regulamentadora 01 (NR 01) começou a valer e já está passando por inspeções educativas para fiscalizar se as organizações estão seguindo as novas exigências.
A NR 01 estabelece novas diretrizes para saúde e segurança no trabalho, que são obrigatórias para qualquer empresa com funcionários em regime de CLT. As novas diretrizes incluem fatores como estresse, burnout, assédio e violência no trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Possíveis mudanças na jornada de trabalho
Uma atualização tão impactante quanto a da NR 01 é a possibilidade do fim da escala 6×1 no Brasil, que atualmente está sob análise do Senado. Propostas em discussão sugerem a implementação da escala 5×2 – cinco dias trabalhados por semana e dois de folga – sem prejuízo salarial, ou a escala 4×3 – quatro dias de trabalho seguidos por três de folga.
Para as organizações que não podem contratar mais pessoas, essas mudanças trazem desafios significativos. As empresas precisarão investir em eficiência na produção, já que a jornada de trabalho irá diminuir, sem sobrecarregar os colaboradores – um dos principais fatores que levam ao esgotamento mental, que agora será fiscalizado com a vigência da NR 01.
A necessidade de adaptação
De acordo com o consultor em gestão e desenvolvimento humano, Rubens Berredo, os empresários precisam lidar com uma “virada de chave” em seus negócios para enfrentar essa nova realidade. “Estamos vivendo um momento de transição: saindo de um modelo de trabalho baseado no desgaste humano para um modelo de sustentabilidade de performance, que valoriza produtividade, previsibilidade e inteligência de execução”, conforme explica.
A era que valorizava os workaholics, aqueles colaboradores que suportam mais pressão e se desgastam pelo trabalho, tende substituída por uma nova era em que os profissionais incentivados a mais eficientes de forma sustentável e equilibrada, separando tempo para outras áreas de suas vidas. “O empresário que compreender isso primeiro não apenas se adapta, mas também sai na frente da concorrência. Os modelos antigos não voltarão mais”, assim afirma.
Roteiro prático para mudanças
Com uma ampla experiência, tendo treinado mais de 40 mil pessoas em liderança e desenvolvimento humano, Berredo ressalta a importância de desenvolver um roteiro prático para lidar com as mudanças que estão por vir.
“Ao considerar o fim da escala 6×1, o empresário deve primeiro elaborar uma lista de prioridades, eliminando atividades e reuniões desnecessárias, além de retrabalho e processos lentos. Mais do que uma mudança operacional, o empresário precisa adotar uma nova mentalidade: metas devem ser estruturadas em torno da produtividade, eficiência e geração de valor”, recomenda.
No que diz respeito à NR 01, Rubens sugere revisar a estrutura operacional, criar uma política clara de saúde mental e mantê-la transparente para todos os colaboradores. Ele destaca que as novas gerações que ingressam no mercado trabalham por propósito, o que está alinhado a esse novo modelo de trabalho.
“Muitas organizações já estavam migrando para esse modelo com bons resultados. Agora, um ambiente de trabalho saudável deixa de ser uma estratégia ou opcional para se tornar uma obrigação”, enfatiza.
Além disso, o consultor alerta que os empresários devem focar na seleção e treinamento de seus líderes, pois são eles os responsáveis por conduzir essas mudanças no cotidiano. “Não basta criar políticas; é imprescindível acompanhar a equipe de forma contínua. Um bom desenvolvimento dos líderes sustenta a operação, especialmente em momentos de mudanças significativas como este”, conforme conclui.
Rubens Berredo é autor do livro “Liderança como Estilo de Vida” (Editora Kelps), lançado no dia 22 de maio, no Salão Nobre da Alego. Ele ressalta que apenas um líder tem a capacidade real de conduzir, mobilizar e engajar as pessoas para alcançar resultados acima da média.


