Mergulho em águas rasas exige atenção nesta temporada do Araguaia

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Com a chegada da temporada do Araguaia, milhares de turistas aproveitam as praias de água doce, momentos de lazer em família e os banhos de rio. No entanto, uma prática comum durante esses períodos pode esconder um grande risco: o mergulho de cabeça em águas rasas.

Especialistas alertam que a combinação entre a falsa sensação de segurança e as características naturais dos rios pode transformar uma brincadeira em um acidente grave.

Conforme o ortopedista do Einstein em Goiânia, Murilo Daher, o principal risco desse tipo de mergulho é o trauma raquimedular cervical, que se refere a lesões na região do pescoço e pode provocar consequências severas, como paralisia parcial ou total, e até levar à morte.

Mas quando uma pessoa mergulha de cabeça e bate o crânio contra o fundo do rio, a força do impacto transmite-se para as vértebras cervicais, podendo causar fraturas, luxações e lesões na medula, além de traumatismos cranianos.

“O grande problema é que muitas pessoas acreditam que, por ser um rio conhecido ou por parecer um local tranquilo, o mergulho é seguro. Mas a profundidade pode mudar, especialmente em rios como o Araguaia, onde os bancos de areia se movimentam e o fundo pode apresentar pedras, troncos ou desníveis ocultos. Um impacto de pouca altura já pode gerar uma força suficiente para ocasionar uma lesão grave na coluna”, alerta o ortopedista.

Riscos da visibilidade reduzida

A dificuldade de visualizar o fundo é um dos principais fatores de risco. A água turva, o reflexo do sol e as constantes mudanças no leito dos rios podem esconder diversos obstáculos. Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas reduz a percepção de perigo e os reflexos, aumentando a probabilidade de acidentes. Mesmo locais frequentados anteriormente apresentam novas condições e não considerados automaticamente seguros.

Antes de entrar na água, a recomendação é evitar mergulhos de cabeça em locais desconhecidos ou onde não há visibilidade do fundo. O ideal é entrar pelos pés, caminhando para avaliar a profundidade e as condições do local. Sinalizações de perigo, orientações de moradores e guias locais também respeitados. Crianças e adolescentes requerem atenção especial, pois costumam subestimar os riscos.

Sinais de alerta

Um dos principais sinais de alerta é a impossibilidade de confirmar a profundidade e a presença de obstáculos no fundo. Água escura ou turva, correnteza forte, falta de sinalização e relatos de acidentes anteriores indicam que o local não deve ser utilizado para mergulhos de cabeça. A regra é simples: se não há certeza sobre a segurança, o mergulho deve ser evitado.

Atendimento ágil

O ortopedista enfatiza que, em caso de acidente, a orientação é não movimentar a vítima. Mexer no pescoço pode agravar uma possível lesão medular. A pessoa deve ser mantida imóvel, com cabeça, pescoço e tronco alinhados, enquanto o resgate é acionado pelo SAMU (192) ou pelo Corpo de Bombeiros. Também não se deve tentar levantar a vítima, puxá-la pelos braços ou pernas, ou transportá-la sem a imobilização adequada.

O atendimento a pacientes com traumas de coluna exige rapidez, precisão e uma estrutura especializada. O Pronto Atendimento do Einstein em Goiânia conta com uma equipe de cirurgiões de coluna e ortopedistas de plantão 24 horas, com experiência em trauma raquimedular, além de um centro de imagem avançado, com tomografia e ressonância magnética disponíveis em tempo integral para garantir um diagnóstico ágil e preciso.

O hospital também possui centro cirúrgico preparado para intervenções de emergência, como descompressão medular e estabilização vertebral, além de UTI especializada para o suporte de pacientes com lesão medular. Após a fase inicial, o cuidado segue com uma equipe multidisciplinar de reabilitação, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento neurológico. Em casos de trauma de coluna, o tempo entre o acidente e o tratamento adequado pode ser determinante para o grau de recuperação neurológica, aumentando as chances de preservar movimentos, autonomia e qualidade de vida.

“Em lesões de coluna, o tempo entre o acidente e o atendimento adequado pode influenciar diretamente as chances de recuperação. Ter uma equipe preparada para diagnosticar rapidamente e iniciar o tratamento indicado é fundamental para preservar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, conclui.