As novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos às importações brasileiras devem ter um impacto mais moderado sobre Goiás do que sobre o restante do país. Essa avaliação consta na Nota Técnica divulgada nesta quinta-feira (16/07) pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que analisa os efeitos das tarifas norte-americanas sobre as exportações brasileiras e goianas.
Segundo o documento, apesar de os Estados Unidos representarem um dos principais destinos das exportações goianas – com US$ 641 milhões embarcados em 2025 –, a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% abrange itens de grande peso na pauta estadual, como carnes e soja. Dessa forma, a tendência é que as novas medidas atuem mais como um freio ao crescimento das exportações do que como um fator que provoque uma retração significativa nas vendas.
Projeções de exportação
A Gedin-Fieg estima que o valor exportado por Goiás ao mercado norte-americano mantenha-se próximo da média atual, em torno de US$ 80 milhões por mês. Essa situação difere do comportamento observado em âmbito nacional, onde a expectativa é de uma redução entre 10% e 15% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o que corresponde a aproximadamente US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões por ano.
A análise ainda aponta que a experiência do “tarifaço” aplicado em 2025 fortalece essa projeção. Enquanto as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram cerca de 22% durante o período de vigência das barreiras, Goiás registrou apenas uma estabilização das vendas externas, com uma redução média de 3%, retornando ao crescimento após a suspensão das medidas em fevereiro deste ano.
Cenário nacional e impactos
No plano nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a nova tarifa de 25% agrava um cenário que já pressionava o comércio bilateral. Segundo a entidade, 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas exportações para os EUA no primeiro semestre, comprometendo a competitividade da indústria brasileira e aumentando a insegurança para empresas de ambos os países.
Negociações além das tarifas
A Nota Técnica destaca que as barreiras comerciais vão além da discussão tarifária e fazem parte de uma negociação mais ampla entre os dois governos. Além da tarifa adicional de 25%, os Estados Unidos ainda analisam uma sobretaxa de 12,5%, vinculada a investigações comerciais realizadas pelo governo norte-americano.
Entre os temas em discussão nas negociações, estão o Pix, a tributação de empresas de tecnologia, questões relativas a minerais críticos e terras raras, além de outros assuntos comerciais. A Gedin-Fieg acredita que esses pontos podem influenciar as próximas rodadas de diálogo entre os dois países.
Para Goiás, o documento observa que a pauta de minerais críticos e terras raras pode abrir espaços para futuras iniciativas de cooperação e investimentos norte-americanos, caso as negociações avancem. Contudo, a Nota Técnica recomenda cautela nas projeções, diante das constantes mudanças na política comercial adotada pelo governo dos Estados Unidos.
Confira a íntegra da Nota Técnica divulgada pela Gedin-Fieg. 👇




