Brasil pode ter pelo menos seis ondas de calor até o fim do ano por influência do El Niño

Estimativa considera o comportamento das temperaturas em anos de El Niño e aponta que os episódios podem atingir áreas cada vez maiores do país

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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O Brasil pode enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A estimativa considera o comportamento das temperaturas em anos de El Niño e aponta que os episódios podem atingir áreas cada vez maiores do país.

O número é uma média e pode ser ainda maior caso o fenômeno climático se intensifique. Entre 2023 e 2024, durante o último El Niño, o Brasil registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro.

De acordo com o Cemaden, as ondas de calor também passaram a atingir áreas mais extensas nas últimas décadas. Em alguns períodos, diferentes regiões do país podem enfrentar temperaturas elevadas simultaneamente.

El Niño pode intensificar o calor

O cenário está relacionado ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Conforme os órgãos INPE, INMET e Cemaden, há alta probabilidade de permanência do fenômeno até o início de 2027.

As previsões indicam temperaturas acima da média no segundo semestre, o que pode favorecer a ocorrência de ondas de calor e aumentar o risco de incêndios florestais. A região central do país está entre as áreas com expectativa de episódios mais frequentes de calor e baixa umidade.

Uma onda de calor não significa apenas um dia muito quente. Para caracterizar o fenômeno, as temperaturas precisam permanecer excepcionalmente elevadas por pelo menos três dias consecutivos.

Calor e seca

Além das temperaturas elevadas, o El Niño pode provocar mudanças no regime de chuvas. Enquanto o Sul tende a ter maior possibilidade de chuvas intensas, áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O Centro-Oeste também está entre as regiões que podem registrar temperaturas elevadas e baixa umidade.

O aumento do calor e a redução da umidade também podem favorecer incêndios florestais e aumentar os impactos sobre a agricultura e os recursos hídricos.

O cenário, porém, ainda pode mudar conforme a evolução do fenômeno. Por isso, os órgãos responsáveis pelo monitoramento climático recomendam o acompanhamento das atualizações das previsões ao longo dos próximos meses.