O Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB) divulgou uma análise sobre o mercado de trabalho no agronegócio de Goiás, referente ao primeiro trimestre de 2026. Os dados têm como base principal a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, o rendimento médio mensal habitual das pessoas ocupadas no setor foi de R$ 5.562,92.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, quando o rendimento médio real era de R$ 4.615,69, o indicador apresentou uma variação de 20,5%. Em valores absolutos, a diferença foi de R$ 947,23, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Essa mudança ocorreu em todos os segmentos analisados. O maior percentual ocorreu nos serviços ligados ao agronegócio, onde o rendimento médio cresceu 33,4%, passando de R$ 4.228,94 para R$ 5.641,71.
Rendimento por Segmento
No segmento primário, que reúne as atividades desenvolvidas diretamente na agricultura e pecuária, a oscilação foi de 25,4%. A renda média atingiu R$ 7.024,59, a maior entre os segmentos. Na agroindústria, a renda passou de R$ 2.521,11 para R$ 3.002,83, apresentando uma alta real de 19,1%. Já entre os trabalhadores das atividades de insumos, o rendimento médio registrou um índice de 7,7%, alcançando R$ 6.582,56. O crescimento ocorreu tanto entre trabalhadores formais quanto informais.
Entre os formalizados, a renda média chegou a R$ 7.760,19, com uma alta de 20,8% em um ano. Entre os informais, o rendimento passou de R$ 3.116,96 para R$ 3.951,32, o que representa um crescimento de 26,8%. O mercado de trabalho do setor também mostrou um aumento na formalização. O número de trabalhadores formais cresceu de 605,7 mil para 611,7 mil, enquanto o contingente de informais caiu de 480,9 mil para 463,6 mil. Na agroindústria, o número de ocupados com vínculos formais aumentou em 7%, o que corresponde a cerca de 10,7 mil trabalhadores.
Crescimento dos Empregadores e Trabalhadores
Outro indicador analisado foi o crescimento do número de empregadores no agronegócio. O contingente subiu de 42,5 mil no primeiro trimestre de 2025 para 50,6 mil no mesmo período deste ano, uma variação de 19,1%, com 8,1 mil empregadores a mais. Também houve uma variação entre os trabalhadores por conta própria, que atingiram 194,3 mil, representando um crescimento de 1,4% na comparação anual.
A agroindústria foi o único segmento do agronegócio goiano que ampliou o número total de ocupados durante o período. O contingente passou de 208,5 mil para 216,5 mil trabalhadores, o que representa uma alta de 3,9% e um acréscimo de cerca de 8,1 mil pessoas. O setor de abate e fabricação de produtos de carne e pescado apresentou um aumento de aproximadamente 9,5 mil ocupações. Considerando todas as atividades do agronegócio, o setor de criação de aves também se destacou, com 10,6 mil ocupados a mais em relação ao primeiro trimestre de 2025.
No primeiro trimestre deste ano, o agronegócio empregou 1,08 milhão de pessoas em Goiás, o que corresponde a 28% de toda a população ocupada no estado. Outro movimento registrado no período foi o aumento do número de trabalhadores com ensino superior: o contingente passou de 256 mil para 271,5 mil pessoas em um ano, um crescimento de 6%.
O IMB ressalta que os dados da PNAD Contínua utilizados no levantamento foram reponderados pelo IBGE a partir das projeções populacionais baseadas no Censo Demográfico de 2022. Esta atualização altera os pesos da amostra e deve ser considerada nas comparações dos resultados com levantamentos anteriores.

