A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), divulgou na segunda-feira (31/8) a 9ª edição do Relatório de Infraestrutura de Goiás – Energia Elétrica.
Baseado em dados oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Equatorial Goiás, o documento analisa a oferta e a expansão da geração, a dinâmica do consumo e da tarifação. Além disso, a qualidade do serviço prestado no estado.
O levantamento aponta que os investimentos realizados na infraestrutura de distribuição de energia no Estado saltaram de R$ 790,09 milhões em 2019 para R$ 2,618 bilhões em 2025. Assim, representando um crescimento de 231% durante o período que abrange a transição da concessão da Enel Goiás para a Equatorial Goiás. Para o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, essa evolução reflete diretamente na confiabilidade do sistema.
“Os investimentos recentes representam um fator essencial para a redução dos riscos operacionais, aumento da segurança energética e melhoria do ambiente de negócios. Mas sua efetividade deve ser avaliada, sobretudo, pelos resultados obtidos nos indicadores de qualidade do fornecimento”, conforme avaliou.
Melhoria na qualidade do serviço
Nesse contexto, o Estado registrou uma melhora expressiva na continuidade do serviço na última década. O indicador de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) caiu de 43,2 horas em 2015 para 12,6 horas em 2025.
Da mesma forma, a Frequência Equivalente de Interrupção (FEC) recuou de 25,1 para 5,9 interrupções por unidade consumidora no mesmo intervalo. Apesar do avanço, o relatório revela que a distribuidora goiana perdeu posições no Ranking Nacional de Continuidade do Serviço da Aneel. Assim, saltando da 27ª colocação em 2021 e 2022 para a 32ª em 2025.
O consumo de energia elétrica no Estado também continua a crescer. Entre 2015 e 2025, o total consumido em Goiás passou de 14.414 GWh para 20.957 GWh, resultando em um crescimento superior a 45%.
O setor industrial, especificamente, aumentou seu consumo de 4.939 GWh para 6.384 GWh no mesmo período. O que representa uma alta de 29,3%, com uma expansão anual composta de 2,6%. Somente entre 2020 e 2025, a demanda industrial cresceu 10,1%, adicionando 585 GWh ao total anual.
Oportunidades em energia renovável
De acordo com o dirigente, “a competitividade da indústria goiana está diretamente relacionada não apenas à disponibilidade de energia. Mas também à qualidade do fornecimento, à evolução das tarifas, à segurança regulatória e à capacidade de planejamento da infraestrutura elétrica”. Ele destaca que a abertura do Mercado Livre de Energia e a ampliação da geração renovável aumentam as oportunidades para um ambiente energético mais eficiente.
O relatório do Coinfra-Fieg confirma a consolidação do Ambiente de Contratação Livre (ACL) como um vetor de modernização do setor. O consumo nesse mercado subiu de 3.482 GWh em 2016 para 7.322 GWh em 2025, com um crescimento de 5,6%. A Geração Distribuída (GD), impulsionada em grande parte pela fonte solar, já soma mais de 173 mil unidades conectadas em 2025, com capacidade instalada superior a 2,3 GW.
Matriz de geração e impactos tarifários
Na matriz de geração, Goiás continua predominantemente hidrelétrico, com 76,9% da energia produzida em 2025 proveniente de usinas hidráulicas, seguida por biomassa (12,5%), fonte solar (9,3%) e outras fontes (1,3%).
Assim, a produção total do Estado ficou em 30.495 GWh no último ano, uma retração de 8,1% em relação ao recorde histórico de 33.165 GWh registrado em 2024. Mas ainda acima da média da série (26.430 GWh).
Em termos tarifários, a Equatorial Goiás forneceu 11.301.657 MWh em 2025, o que representa 42,3% de toda a energia distribuída no mercado regulado da Região Centro-Oeste, atendendo a 3.519.543 unidades consumidoras, cerca de 46% das ligações da região.
No mesmo ano, os reajustes tarifários aplicados às indústrias goianas variaram conforme a modalidade de fornecimento, com alta de 17,04% para o segmento de alta tensão e 19,01% para baixa tensão.
Projeções futuras
O relatório também projeta a entrada de 103 novos empreendimentos de geração em Goiás até 2031, somando 4.637 MW de capacidade adicional. A geração elétrica por energia solar concentra a maior parte dos projetos, prevendo-se 87 usinas e 4.100 MW.
O presidente do Coinfra ressalta que “o crescimento da demanda, a necessidade de expansão coordenada das redes de transmissão e distribuição. A integração de novas fontes de geração e a adaptação da infraestrutura aos eventos climáticos extremos exigem planejamento de longo prazo e investimentos contínuos”.
Na matriz hidroelétrica, a Companhia Hidroelétrica São Patrício (Chesp) é destacada no relatório. Abrangendo nove cidades e o povoado de Monte Castelo, em Jaraguá, a empresa atua assim em uma infraestrutura de aproximadamente 2.657 km de redes de distribuição em 15kV, com 589 km de redes de baixa tensão e mais de quatro mil transformadores, além de subestações em Rialma, Carmo do Rio Verde, Uruana e Rianápolis.
Em 2024, os dados regulatórios da empresa indicam aproximadamente R$ 112,9 milhões em ativo imobilizado em serviço e R$ 46,7 milhões em imobilizado em curso na atividade de distribuição. No mesmo ano, a Chesp alcançou DEC de 5,21 horas e FEC de 5,21 interrupções por unidade consumidora, os menores índices da série histórica da empresa.
Além disso, no Ranking de Continuidade do Serviço de 2025, elaborado pela Aneel, a Chesp obteve a 5ª posição entre as distribuidoras com até 400 mil unidades consumidoras, apresentando DGC de 0,52.
Confira assim o relatório na íntegra pelo link.

